GOOGLE LOVE

 

Outro dia fui surpreendido com uma cartinha do Google. Eu nunca imaginei que um dia receberia uma correspondência, pelo correio, com aquele logo colorido em azul, vermelho, amarelo e verde. Fiquei muito curioso para saber o motivo pela qual uma das empresas do Google Inc. estivesse à minha procura. E como me encontraram?

A grande verdade é que o Google te acha em qualquer lugar, mas estariam eles me procurando porquê?

Tem algum tempo que uso na página do Blog o AdSense do Google. É uma exibição de um link patrocinado, ou um anúncio aleatório distribuído por eles. Para cada exibição ou clique, alguns centavinhos de dólares são creditados na minha conta. Até hoje não atingi o valor mínimo para receber o primeiro depósito, mas não desisti do serviço. A propósito, tudo o que estou contando aqui é proibido por contrato. Se eles descobrirem serei punido e excluído, então isso é um segredo.

Mas, a tal correspondência trazia um convite para que eu anunciasse o meu Blog no AdWord e de lambuja me deram um crédito de cem reais. Ou seja, em média o meu anúncio poderia ser clicado 300 vezes. Beleza. Para quem nunca recebeu nada de graça até achei a proposta bem interessante. Publicidade que atrai leitores, que atrai visibilidade, que atrai mais leitores e, por fim, money.

Ao abrir a correspondência encontrei impresso o meu nome, meu endereço, meu CPF, a minha identidade, a minha altura, o meu peso, a cor dos meus olhos e o meu signo astral. Tô falando sério, eles sabem quase tudo sobre mim.

Brincadeiras à parte o Google realmente sabe demais. Quanto a oferta? Por ora recusei. Quem daria um clique num anúncio de um Blog de um desconhecido? Só se eu estampasse uma foto minha, e pelado. Ainda assim eu acho que só iria espantar visitante.

Na época da faculdade de jornalismo lembro que tivemos uma matéria específica que falava sobre o Google. Já imaginou a importância e a utilidade da ferramenta para um jornalista? Claro que boa parte das informações estão contidas no próprio site do Google, mas o grande segredo  está em saber perguntar o quê se está procurando. Aliás, hoje em dia você até pode fazer uma pergunta na sua busca, com um ponto de interrogação no final, que alguma resposta ele vai retornar. Antigamente não se podia usar pontuação alguma, mas hoje ele é mais esperto do que você.

Existem ainda vários macetes como as aspas, os dois pontos, os prefixos, enfim. A pesquisa vai muito além da barra de busca, da busca de imagens e  vídeos, dos serviços do Gmail ou do Orkut, do Google Maps, do Earth ou do Chrome. Também não pense que a busca avançada é o último refúgio dos sabidinhos. Engano. Existem vários outros truques que nem mesmo eu sei usar.

Pois bem, o crédito de tudo isso só poderia ser de americanos universitários. Os caras são chamados de Larry e Sergey. Com esses nomes os sujeitos só poderiam ser nerds e nem namoradas devem ter.

Descobri que o sistema de arquivamento desses bilhões de dados, feito pelo maior mecanismo de busca do mundo, é fantástico. Existem complexos que mais se parecem com pequenos vilarejos, divididos por suas avenidas e prédios, com aparente preocupação  ecologia. Alguns desses complexos produzem a sua própria energia e em outros o resfriamento dessas máquinas são feitos por plantas. Já pensou em cultivar algumas bromélias na volta do seu desktop?

Você já experimentou jogar o seu nome no Google? Prepare-se, no mínimo aparecerão homônimos, imagens, vídeos, listas de concursos prestados, processos, perfis, contas a pagar e nenhuma a receber. Vê lá hein, o Google sabe de tudo.

Joguei o meu nome, entre aspas, e a busca retornou 99.100 resultados. Sem aspas o número de ‘ozinhos’ do Goooooooogle ultrapassa os 520 mil. Alguns links são meus ou dizem algo sobre mim, outros não faço a menor ideia do que tratam, e a maioria leva ao meu xará que viveu no século XVIII. Pois não é que o cara vem disputar posição de pesquisa mesmo mortinho da silva?

Só falta inventarem o Google Love. Imagino que essa cartinha todos vão querer receber.

Ah… e não seja estúpido, antes de tudo, pergunte ao Google.

Zé.

That’s all Folk’s!

Imagem: da rede

VAMOS QUE VAMOS

Tá rindo, é? O Carnaval já acabou e é hora de arregaçar as mangas. Não queria dizer isso, mas seja bem-vindo ao Ano Novo. Seja lá onde tiver o seu coração é hora de botar ordem na casa, varrer a calçada, espanar o pó do armário e guardar muito bem a fantasia para usá-la no ano que vem. Mas, quem já começou o ano pode pular para o parágrafo 4º, sempre existem adiantados e sobram retardatários.

Por falar em Carnaval tive o privilégio de assistir ao desfile das Campeãs, lá no Sambódromo, no último sábado. É espetacular. Pudera eu soubesse um daqueles passes de mágica que faz com que a gente troque de roupa num instante, troque a cara por uma melhor, troque de carro todo o ano. Pudera. Mas, tudo aquilo que vi na Sapucaí, ao vivo, é realmente mágico e a Tijuca mereceu o título.

Deve ser por isso que ainda não entrei no ritmo do ano – pelo Carnaval. Aliás imagino que ninguém tenha entrado. Tudo deve começar nessa semana. Até aqui não ouvi falar na bolsa de valores, em pregão, em apagão, em crise, em economia. Não ouço falar em nada além do tempo, das Campeãs, do BBB e de futebol. Pois é, até o Mengo perdeu para o Botafogo.

Já estamos no final de fevereiro e a luz que entra na minha janela não está mais tão forte como antes. Ufa! Já não faz aquele calor infernal, apesar de marcar 33 graus ao sol. Nem sei por onde começo o meu novo ano, mas sempre é tempo de se reorganizar de novo, de se reinventar. A lista que eu tinha feito no primeiro dia do ano, perdi. Acho que nela continham promessas das quais eu não realizaria mesmo. Sobre a nova listagem prometo pensar, categoricamente, de forma que me faça cumprir.

Lá fora o verão se despede e a noitinha um vento gelado tem batido na minha varanda. Ô lugar simpático para tomar um belo chimarrão. Ô lugar bom para se estar bem acompanhado ou mesmo acompanhado dos meus bons pensamentos. Meu Deus, logo será março e a vida já tá acelerada. Não dá para marcar toca de novo.

Lembro que meu pai sempre dizia que os anos ímpares eram melhores que os pares. Vai saber? Cada um com o seu cada um. Cada um com o seu carma astral. Só sei que é ano par, ano de Copa, de eleições, de feriados, e daí tudo trava de novo. Ainda assim vou acreditar. E… “vamos que vamos que a vida vai melhorar.”

Guri, obrigado pela amável companhia. Guria, cadê as minhas castanhas trazidas do Pará?

Zé.

That’s all Folk’s!

Imagens: Arquivo pessoal

ME INCLUA FORA DISSO

Lá se vai o Carnaval e imagino que para muita gente acaba também uma época de festas, de brincadeiras, de bebedeiras, de amores e de amigos. Mas, para os baianos e alguns retardados a farra acaba somente no próximo domingo. Não dá para esquecer que apesar das ruas estarem lotadas de foliões há uma grande maioria que não vive o Carnaval, que simplesmente não gosta.

Eu nem sabia o que era o Carnaval quando vivia distante dele, ou preferiram que eu não soubesse para também não gostar. Como nasci numa colônia alemã, de costume evangélico protestante, eu achava que a festa era apenas da luxúria, do erotismo e da perdição. Boa parte dessa festa mexe com o nosso imaginário e realmente deixa a libido à flor da pele, mas a resposta para isso fica a critério de cada um.

Depois de algum tempo percebi que a agravante maior daquela turma era outra: alemão não tinha samba no pé, tão pouco molejo na cintura. Quem diria – eu tinha! Mas enfim, tudo bobagem na minha análise. Aquela alemoada sempre se deu bem quando precisou sair no sapatinho.

Lá se vai o Carnaval e a sensação que tenho é de que mal aproveitei. Ok… fui ao Camarote, bebi todas as geladas no gargalo, degustei o delicioso cardápio assinado por Viko Tangoda, cantei com a Preta Gil, com o Zeca, com o Diogo Nogueira e, de quebra, vi a Madonna. Aliás ela teve a audácia de ficar um pouco mais de um minuto e dizer apenas um ‘muito obrigado’ em português. Nunca vi um simples ‘obrigado’ custar a bagatela de 1 milhão de dólares.

Lamento a mim mesmo por me dar conta das coisas que não fiz só depois que tudo passou. Acho que sempre fui assim. Tudo passa e a sensação que tenho é de que eu fico para trás, que o bonde vai sem mim. Nem sei se devo ficar triste por isso, se devo me conformar, ou se agradeço por não pegar a maioria dos bondes que acaba caindo penhasco abaixo.

Hoje é quarta de cinzas e ainda dá tempo para algumas geladas de Carnaval. Só não vale o desespero para fazer tudo aquilo que me propus inicialmente, apenas para constar de uma lista.

Aos amigos que estiveram comigo – ou com os quais estive – só posso dizer obrigado e que no próximo ano será ainda melhor.

E lá se foi o Carnaval. Temos um ano inteiro pela frente para pensar novamente no próximo. Eu só estarei dentro daquilo que for muito bom para mim, nem que no final eu julgue que perdi o bonde da história ou o ”bonde da Priscilla”, que foi parar nos confins do mundo. E, se for assim, sutilmente, vou me incluir fora disso.

Zé.

Em tempo: Na semana passada sugeri alguns nomes na Lista de Amigos do Blog, para o envio da minha Newsletter. Um convite, gerado automaticamente, foi enviado pelo sistema para os respectivos e-mails. Caso você tenha recebido, basta seguir o link da confirmação. Mas se o envio da Newsletter for inconveniente para você, clique no link de exclusão.

That’s all Folk’s!

Imagem: Cine.pt

VOU COMER E BEBER A MADONNA

É Carnaval no Rio e em várias outras cidades desse país. Aliás o Carnaval é comemorado mundo afora e a festa teve a sua origem há quinquilhões de anos, lá na idade média. Nós, muito criativos e influenciáveis que somos, apenas adaptamos os festejos e damos o nosso toque particular à brincadeira. Cada povo tratou de se representar conforme a sua cultura, os seus valores e os seus costumes.

E realmente esses dias convidam à diversão, à brincadeira. Tem marchinhas pela cidade, tem os blocos de rua, tem cerveja gelada a cada cem metros de praia e o calor que faz convida à exposição do corpo e da alegria. Mas, se você tá pensando que o Carnaval é apenas samba sem compromisso, ou que é apenas uma festa do povo, você está redondamente enganado.

A festa carnavalesca mobiliza milhares de pessoas. As escolas trabalham o ano inteiro e os ensaios se dão meses antes da competição. Infelizmente até nessa brincadeira existe disputa. Bulufas, trofeu abacaxi para eles. Estamos sempre competindo por uma posição.

O Carnaval também é objeto de vários estudos sobre a Cultura Popular, assim em maiúsculas. Ele é tema de debates dos mais ilustres cérebros, é dissertado em mestrados, já foi tese de doutorado. Mas o que mais me chama à atenção é que o Carnaval já não é mais a festa do povo. Ela é feita pelo e para o povo, mas a verdade é que por trás de tudo existe um poderio tão imenso que tem gente que nem faz ideia: os mega conglomerados de comunicação, as grandes cervejarias e, claro, o jogo do bicho.

Só para constar é bom lembrar que em alguns países o Carnaval é comemorado com muita pompa, pela fina nata da burguesia.  E, em algumas regiões o Carnaval tem um sentido místico e religioso. Aqui no Rio a brincadeira é levada muito a sério, e com razão. Ela faz a alegria da nação e o deleite da Rede Globo e de seus anunciantes.

Beleza, chega de quesitos técnicos. Abram alas que a minha escola quer desfilar. Tô aqui para dividir o quê experimento nesses dias.

Você conhece uma música dos Tribalistas chamada Carnavalia? Pois é, ela traduz muito bem a sensação que tenho quando falo do Carnaval. Quando eu a ouço consigo lembrar de tudo aquilo que já vi no Sambódromo. Carlinhos Brow, Marisa Monte e Arnaldo Antunes são meus ídolos. Tomara que um dia eles se encontrem para um novo CD e que seja tão bom quanto aquele. Escute que vale a pena, a letra de Carnavalia me fascina.

De tão felizardo que sou, no próximo domingo vou assistir a abertura do desfile carioca. Vou com toda a pompa que os convidados aos camarotes merecem. Para se chegar lá, caso você tenha vontade, posso dar algumas dicas: ou você precisa ser um afortunado amigo do presidente da AmBev; ou você pode se tornar amigo de um afortunado amigo que é amigo dos organizadores do evento; ou você precisa ser uma celebridade; ou, por fim, ser amigo de alguém muito famoso.

Nos últimos anos pude levar, a tiracolo, alguns amigos que não eram amigos do meu amigo. É essa a posição que ocupo na lista acima. É bem verdade que as minhas redes de amizade sempre foram complexas. Mas, de alguma forma, eu sempre tentei  relacioná-los entre si dando a oportunidade para que também fossem convidados para o disputadíssimo Camarote da Brahma, ou para os grandes eventos e estreias das quais participo.

Nesse ano, ao negociar a tal lista de convidados que poderia ser tão imensa e complexa quanto a minha rede de amizades, dado o prestígio e a reputadíssima posição que ocupa o meu estimável amigo, ouvi o seguinte: você pode me dizer porquê eu levaria essa ou aquela pessoa? Diante disso só me fiz calar e ali tive a certeza de que as relações têm cada vez menos sorte. As pessoas se protegem porque não recebem o mínimo que outro tem condições de dar. Muitas vezes o outro não quer se esforçar para oferecer algo melhor. Cada um tem os seus motivos pessoais; cada um ocupa uma posição que julga ser mais confortável, mas depois não pode reclamar.

O título da minha crônica é inspirado na música da Ana Carolina. Por falar nela preciso contar que assisti, no mês passado, ao show ‘9′. Foi a primeira vez que a vi cantar. Ela realmente encanta e as palavras que diz parecem ter sido compostas para mim. Quem disse que bebeu e comeu a Madonna foi ela. Acho que não é verdade, mas eu também queria e como queria. Pelo menos ficaria famoso.

No próximo domingo a Madonna também estará na Sapucaí. Ela ficará bem pertinho para sentir tudo aquilo que eu sinto. Se é que a sensibilidade dela é ocupada pelo mesmo imaginário que o meu. Me parece que o camarote do governador fica bem na frente do camarote da Brahma. [pausa] Acabo de ler o Ancelmo Goes que diz que ela tá inclinada em dividir seu tempo entre os dois camarotes. Tomara!

Bom início de Carnaval para você, assim, com letra maiúscula. Na próxima semana eu volto para contar a experiência que tive.

 Zé.

That’s all Folk’s!

Imagem: Getty Images

RIO 50 GRAUS

Fazia tempo que eu não andava de pés descalços pela casa. O piso daqui é uma cerâmica na cor gelo, atualmente encardida, que quando o pé toca dá para sentir a temperatura mais baixa retida na pedra. A minha ex-mulher sempre implicava com a pele fina do meu pé. Uma vez por semana eu a ouvia reclamando da casca grossa do seu pé, formada pelo uso contínuo do salto alto. Mulher perde horas fazendo unhas, lixando os pés, pinçando pêlos, ajeitando os cabelos. Nessa hora é ótimo ser homem e ter pés de homem de pele macia. Acho que era isso que a incomodava.

Nunca senti tanto calor na minha vida. Aqui no Rio e no resto do país tem feito um calor tão insuportável que faz a gente quase derreter. Parece que abriram as portas do inferno. O Rio 40 graus da Fernandinha ficou algumas décadas para trás. Os termômetros aqui têm marcado máximas de 41, com picos de 43 ao sol, e sensação térmica de 50. Imagina?

Se eu pisasse no asfalto com o meu pé quase albino acho que fritava.

Nasci branco-de-neve de verdade. Para fazer as pazes com o sol, ou aceitar um convite para cair na água, só depois de mergulhar no filtro solar de FPS 60. E quem diz que eu tenho paciência para me besuntar no protetor? Mas, surpreendentemente tenho batido ponto na orla do Rio. A praia aqui é mágica. Apareço exatamente na hora em que a vovó Mafalda anunciava o término do Bozo, às 5 e 60. Lembra?

Ainda não tenho aquela simpática espreguiçadeira para lagartear no sol. Geralmente alugo uma delas, mas tem pesado no bolso. Meu grande achado foi uma bolsa térmica que leva várias Itaipavas geladas com as barras de gelo que o meu congelador produz. Nunca as deixo faltar. Para completar levo à tira colo alguns paramentos: copo, canga, filtro e não pode faltar as castanhas de caju. Cada maluco com as suas manias. Nem por isso me acho farofeiro, sempre recolho as minhas latinhas. Como dizem, praia é o programa mais democrático do mundo. Tem todo o tipo de gente por lá e todo mundo se entende.

Sempre me senti bem nos dias nublados e de chuva. Coisas da minha alma. Nunca entendi o que vim fazer no Rio, deveria estar em Londres. Vai ver que é por isso que passo horas em casa, acompanhado de mim mesmo, das minhas músicas, das minhas leituras, dos meus textos, dos meus pensamentos. Deve ser por isso que meus pés continuam muito branco. Vai saber.

Acho um grande barato que na praia de Ipanema e do Arpoador as pessoas aplaudam o pôr-do-sol. Realmente esse momento é um espetáculo à parte. Lá em Santos se baterem palmas é porque uma criança se perdeu. Já no meu bairro, se baterem palmas, provavelmente é um arrastão. Tô sempre ligado. Outro dia teve um desses aqui na Barra da Tijuca.

Escolhi viver num andar bem alto de um prédio simpático com uma vista panorâmica do mar. É lindo, apesar de não ter vista eterna. Mas o quê é definitivo em nossa vida? Em breve devem construir um condomínio bem na frente do meu. Por ora, a cada finalzinho de dia, fico admirando as nuvens que ao entardecer ficam meio rosas, e da minha varandinha eu aplaudo.

Hoje resolvi andar pela casa de coração leve, de pés desnudados, para sentir esse verão quente que invade até a alma da gente.

Zé.

That’s all Folks!

Imagem: Getty Images

A FALTA QUE A FALTA FAZ

Imagem: Gety ImagesAno novo adentro e a sensação que tenho é de que fiquei preso ao ano passado. A pilha de papeis sobre a minha mesa é gigante, a agenda está lotada, a casa está por arrumar e não há sinal de férias ou falta do que fazer para os próximos dias. Sempre fui de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Mas, se eu não resolver as mais urgentes fico me embromando nas outras.

Sabe quando você percorre um caminho para fazer algo, mas no meio dele descobre outras coisas importantes e quando você chega no seu objetivo esquece o que foi fazer lá?

Desde o final do ano passado que encontro pessoas, que resolvo questões profissionais, que fiz o meu costumeiro roteiro de final de ano, que não consigo encontrar a mim mesmo. E esse é o tempo de cada um. Alguns precisam de mais tempo na realização das suas tarefas e outros resolvem as mesmas questões em um piscar de olhos. No entanto, acredito que você só encontra a ordem do mundo se estiver em ordem consigo mesmo.

Para compensar a falta do tempo que não reservei àqueles vários amigos do ano passado, já estou até oferecendo champanha na minha casa, a fim de garantir a volta deles. Vou ter que ter bala na agulha e a deliciosa bebida no copo durante algumas semanas.

Penso que o tempo também é prioridade. Aqueles que estiveram por perto de você nos últimos dias certamente devem se sentir lisonjeados porque o tempo anda curto para quase todo mundo. Mas, entre todos, sempre tem aqueles que fazemos questão de ter colados a nós: os mais chegados, os mais queridos, os mais interessantes, os mais úteis, os nossos amores.

Recebi uma ilustre visita por alguns dias – da minha irmã – que disse que aqui no Rio o dia provavelmente tem dezesseis horas. Eu nem quis discordar e rapidamente me convenci de que as horas aqui passam depressa demais. Ela vive na nossa terra natal lá no Rio Grande e, de fato, nas cidades pequenas não se tem essa infinidade de opções e ocupações para o tempo todo. Lá não tem congestionamento de carros e meia horinha é tempo suficiente para se tomar o banho, se perfumar, tomar um cafezinho, e ainda chegar com antecedência no seu destino. Lá não há multidão em todos os lugares. Lá não tem teatro, não tem cinema, não tem filas, e não tem quase ninguém. Lá o dia realmente tem vinte e quatro horas e bem contadas.

Lembrei que quando as pessoas somem de você é quando justamente estão enredadas com alguém. Falo dos amigos solteiros. Daí eles esquecem do mundo, esquecem de você, e esquecem que sempre chega o dia em que se leva o pontapé na bunda. Aí não vale correr para chorar as mágoas no ombro dos antigos amigos. Nem vem que não tem porque ninguém tolera um chorão por mais de um dia. A gente quer gente alegre na volta da gente. Escrevi esse monte de ‘gente’ para toda a gente entender.

Que tal dar um telefonema para os amigos? Mas peça licença para ligar porque telefonema não esperado também pode atrapalhar. Primeiro pergunte se o sujeito está disposto a te atender. Se você tiver que deixar recado seja paciente e espere o retorno. A vida não é fácil, né?

Mas, é sempre tempo de por a vida em ordem e o tempo no devido lugar. Amigos são bem-vindos, amores continuarão por perto, e sempre se tem um tempinho quando se gosta de alguém. Você pode não conseguir encontrar os seus queridos no dia seguinte, na semana seguinte, mas quando encontrar saberá que o tempo parece não ter passado. Quando gostamos de alguém um simples recadinho, em meio a tantos recursos digitais, já será o suficiente para o outro ter a certeza de que pensamos nele.

Acredito que a pior falta é a falta que a falta faz – me explico: falta do que fazer, falta de tempo, falta de dinheiro, falta de saúde, falta de alguém. Espero que se você estiver sem tempo, que pelo menos esteja apaixonado. Só não vale reclamar se depois se sentir sozinho.

Bem-vindo ao meu novo Blog. Obrigado pela leitura.

Zé.

That’s all Folks!

Imagem: Getty Images

UUUPA!

Você já recebeu um abraço de tirar os pés do chão, daqueles de fazer uuupa? Imagino que sim. Geralmente damos esse tipo de abraço nas crianças, mas aposto que você morre de vontade de abraçar assim aquelas pessoas que ama.

Nos últimos dias ando com uma disposição enorme para abraçar tanta gente com um uuupa desses. Tenho amigos tão distantes que às vezes dou um abraço virtual. Alguns já me disseram que quando recebem o meu uuupa realmente sentem os pés saírem do chão. Claro que isso não se dá no campo físico, mas basta que a vontade esteja no coração que a mente é capaz de nos fazer levitar.

Existe uma teoria que diz que duas partículas de elétrons podem se comunicar no espaço e no tempo, independentemente da sua distância. Se uma dessas partículas for movida na minha casa, a outra, mesmo estando aí perto de você, também responderá aos mesmos estímulos.

Outro dia li algo que dizia que o pensamento – das partículas do cérebro – pode se comunicar com o mundo lá fora. Beleza, encontrei uma resposta convincente para o sujeito sentir o meu uuupa, mesmo estando longe de mim. Só acho uma pena que a explicação do que li só dava conta no mundo microcosmo das partículas, mas me convencei. Também não era por isso que deixaria de distribuir o meu uuupa!

Falando em abraço fui pesquisar o poder desse gesto. Descobri que além de expressar carinho e afeto ele pode ser usado em terapias como poder de cura. O abraço dá proteção; pode acontecer de forma unilateral, a dois ou em grupo. Pode-se abraçar como cumprimento. E não são só os humanos que se abraçam, os animais também.

O abraço pode ainda exercer uma função social, ou mesmo virar um belo amasso entre os pombinhos. Tem quem tire uma casquinha. No entanto, existem culturas que não se permitem nem mesmo um aperto de mãos, o que dirá um abraço.

Lembrei que a maioria dos meus amigos, todos na casa dos trinta, têm em média dois filhos. Imagino quantos uuupas eles já tenham dado. Eu ficaria muito feliz se tivesse uma dúzia de filhos para encher de uuupas. Não que eu não tenho tempo de fazê-los, afinal vou precisar de herdeiros que dêem continuidade ao meu afago.

O abraço dos dinossauros da ilustração é dado entre um saurópode (o pescoção) e um ceratopsiano (o chifrudo), ambos herbívoros. Você pode me abraçar também porque eu sou quase um vegetariano! 

Esse texto teve a sua primeira publicação no ano passado, mas o considero tão carinhoso que achei que valia uma reedição aqui no novo blog. Obrigado pela segunda leitura. 

Receba o meu uuupa aí. Sentiu o pezinho levantando do chão? Uuuuuuuuuuuuupa!

Zé.

That’s all Folks!

Foto: Getty Images