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	<title>BLOG DO ZÉ</title>
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		<title>A MENINA QUE CORRIA FELIZ</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 03:59:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Outro dia alguém me falou que estava feliz e que a vida seguia seu curso com tranquilidade. Disse também que naquela manhã o sol que fazia era de um brilho intenso, e que apesar do frio dava vontade de correr. Fiquei pensando em qual seriam as coisas necessárias para que o homem se sentisse feliz. Pensei também no tipo de resposta que cada um dá quando o seu espírito experimenta a paz. Para alguns, entretanto, o estado de paz pode ser o inferno astral da própria inquietude humana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1439" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="A Menina que Corria Feliz" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/08/menina_correndo-200x200.jpg" alt="" width="200" height="200" />Outro dia alguém me falou que estava feliz e que a vida seguia seu curso com tranquilidade. Disse-me também que naquela manhã o sol que fazia era de um brilho intenso, e que apesar do frio dava vontade de correr.</p>
<p>Fiquei pensando em qual seriam as coisas necessárias para que o homem se sentisse plenamente feliz. Pensei também no tipo de resposta de cada um, quando o seu espírito experimenta a paz. Para alguns, entretanto, o estado de paz pode ser o inferno astral da própria inquietude humana.</p>
<p>Mas, a fala da menina chamou minha atenção. Ela tinha o desejo de correr quando estava feliz. Se apressava ao encontro da alegria e simplesmente corria de felicidade.</p>
<p>Normalmente, o sujeito corre para fugir de algo ou de alguém. Deduzo que as grandes corridas sejam para se chegar ao primeiro lugar. Tem quem corra esportivamente, tem quem corra para competir, tem quem corra para queimar calorias. Há ainda quem corra contra o tempo, quem corra para levar vantagem.</p>
<p>Não achei a ideia daquela menina tão ruim e me imaginei, num momento de sordidez, ou euforia, correndo pelas coisas da vida. Acho que correria para tomar um bom vinho, correria por uma boa macarronada; correria também na areia da praia para depois mergulhar no mar; correria atrás de uma mala cheia de dinheiro; correria atrás de um astro do rock; correria atrás dos pássaros de Hitchcock. Enfim, correria atrás do que é bom.</p>
<p>A lista dos que correm por alguma coisa pode se tornar interminável. E, imagino que ninguém corra sem motivos. Daí tem quem corre motivado pelo medo, os que correm do bandido; há quem corra de cobrador. Há ainda os apurados que correm para chegar ao banheiro, correm atrás do ônibus; alguns correm para não perder a amada, e outros correm para se salvar ou salvar alguém.</p>
<p>No entanto, a menina corria justamente quando estava mais feliz.</p>
<p>Nos últimos dias tenho me concentrado em algumas leituras e em meus escritos. É como se eu corresse em busca do prazer de escrever. Meus textos me chamam e parece que distante deles não estou completo. Também deve ser uma forma de me sentir acompanhado. Devo estar correndo para mim mesmo, numa busca infinita pela felicidade.</p>
<p>Lembro-me que lá pela sétima série escrevi um texto, na verdade um poema, que me rendeu alguns elogios. Era um texto simples, mas o equilíbrio da narrativa chamou a atenção da professora. Recordo-me ainda que ela disse que se o texto realmente fosse meu – veja bem, ela duvidou – que eu o guardasse para publicar.</p>
<p>Lembro-me também que na época do Natal eu era o escolhido para escrever as mensagens de boas-vindas. Sempre tinha uma tia ou uma prima que me pedia para que eu escrevesse palavras bonitas; que escrevesse algo que tocasse o coração do presenteado. E eu escrevia com muito gosto.</p>
<p>Algumas pessoas se sentem bem quando leem, viajam. Ora, você está aqui lendo o que escrevi e presumo que lhe faça bem. Alguns externam o seu bom astral saindo para dançar, malhando, cantando, indo à praia, enfim.</p>
<p>Já, a amável menina corria para comemorar a sua felicidade. Ouvi dela que se pudesse viria ao meu encontro, para dividir a vida, para matar a saudade. E, por que não, para uma bela corrida? Depois, um pouco confusa, questionou se a felicidade só acontece quando se tem um bom trabalho, uma família que se entende, ou quando se tem um grande amor. Acrescentou ainda: “e quem não tem, se mata?”.</p>
<p>Quando penso na lógica da felicidade acabo concluindo que ela é completamente ilógica, desigual. Que cada um de nós experimenta a felicidade como quer, de maneira diferente. Para uns ela é física, palpável, concreta. Os afortunados, na sua maioria, experimentam-na de forma material. E, para todos os outros, ela é mais abstrata, emocional e sensível.</p>
<p>Vou criar um paradoxo para nós dois – para mim e para a menina –, e quem sabe assim, no absurdo, compreenderemos a felicidade: “Venha ao meu encontro, correndo. Quando você chegar vou levá-la para corrermos nas nuvens, como se ainda fôssemos as mesmas crianças”.</p>
<p>Para concluir, o único cara que vi correndo sem parar, feito um idiota, foi o Gump (o Forrest de Tom Hanks), e no cinema. Gump corria quando tinha medo, quando sentia raiva, quando tinha pressa e, se não me engano, lembro dele correndo para lugar nenhum. E lembre-se sempre: os loucos são os mais felizes.</p>
<p>Zé.</p>
<p>That´s all Folks!</p>
<p>Imagem: <em>Getty Images</em></p>
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		<title>A MENINA QUE ROUBAVA SENHAS</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 21:18:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ela abriu de mansinho a porta do quarto e olhou pela última vez para o rapaz deitado na cama. Era cedo demais para acordá-lo, para dizer que estava indo embora. Como de costume, por levantar várias vezes na madrugada, andava em silêncio pela casa para não despertá-lo com algum barulho. Antes de sair deixava apenas um bilhete desejando um bom dia. Mas, naquele dia ela estava decidida a partir para sempre.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1407" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="A Menina que Roubava Senhas" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/08/senha-210x193.jpg" alt="" width="210" height="193" />Ela abriu de mansinho a porta do quarto e olhou pela última vez para o rapaz deitado na cama. Era cedo demais para acordá-lo, para dizer que estava indo embora. Como de costume, por levantar várias vezes na madrugada, andava em silêncio pela casa para não despertá-lo com algum barulho. Antes de sair deixava apenas um bilhete desejando um bom dia. Mas, naquele dia ela estava decidida a partir para sempre.</p>
<p>Algum tempo atrás um amigo me falou que toda mulher fuxica as roupas do marido, que procura as marcas do batom; que busca algum vestígio do crime; que vasculha gavetas, mensagens no celular, e-mails no computador. E, como se não bastasse, algumas invadem os pensamentos do outro.</p>
<p>Não duvidei da fala do meu respeitado amigo, apesar de uma parte não significar o todo. Fiquei pensando que existem dois mundos que seguem paralelos na vida de duas pessoas que decidiram viver juntas. Por si só, já são dois sujeitos vivendo duas realidades, sendo parte dela compartilhada e outra propositalmente oculta. Existe tudo aquilo que é dividido no espaço comum, que é dito, vivido, falado, experimentado. Mas, por outro lado, existe o mundo da subjetivação do indivíduo, daquilo que é particular para cada um.</p>
<p>No mesmo dia recebi um telefonema da menina que, desiludida com seu dilema, dizia que havia descoberto tudo e que precisava da minha ajuda. Apressei-me em perguntar sobre o &#8220;tudo&#8221; que ela havia descoberto e ouvi que fora uma suposta traição.</p>
<p>Carrego comigo a máxima que diz que não devemos procurar a merda do outro porque com certeza iremos sujar as mãos, e, no final, vamos descobrir que cagamos em si próprios. E eu disse isso a ela, mas quis saber como ela chegou à referida conclusão.</p>
<p>– Tava fuçando no mundo particular do rapaz e descobri uma troca de mensagens. Mas ele se acha mais esperto do que eu. Tudo na vida dele é acessado por senhas, mas mesmo que codificadas eu consegui descobrir – comentou.</p>
<p>– Posso lhe fazer uma pergunta antes de você continuar?</p>
<p>– Claro – ouvi.</p>
<p>– Você é feliz?</p>
<p>– Eu estava muito feliz até descobrir a senha. Não compreendo: sou amada, bem tratada, bem cuidada, está tudo bem e até bem demais. É nessas horas que desconfio da condição humana – acrescentou.</p>
<p>Naquele momento eu já articulava algo para dizer, mas preferi ouvi-la por mais algum instante.</p>
<p>– Não sei se é insegurança minha, se é baixa estima, se há loucura. Já me disseram que a minha síndrome tem nome, mas agora não consigo me lembrar. Prefiro ir até o fundo das questões para ter certeza de que sou feliz e muitas vezes resvalo exatamente onde não queria.</p>
<p>Fiquei pensando que, para algumas pessoas, não bastava ter um conversível na garagem, um colar de diamantes no pescoço, as maçãs mais vermelhas e saborosas que se pudesse comprar na feira. Não. Haverá sempre a grande dúvida se merecemos ou não, comer a melhor maçã. Haverá sempre a natural insegurança do homem no seu próprio taco. E categoricamente isso também acontecia com ela.</p>
<p>– Me escuta um pouco, por favor – eu disse.</p>
<p>– Desculpa. Só eu estou falando. Acho que estou um pouco aflita.</p>
<p>– Tem obsessões que nos levam para lugar nenhum, e presumo que não seja lá que você queria chegar. De nada adiantará você quebrar os códigos de segurança, decifrar criptografias, quebrar as chaves de acesso. De nada adiantará se você ligar insistentemente, se você marcar presença, se você controlar, se você procurar as marcas do batom. Você até poderá encontrá-las, mas&#8230;</p>
<p>– Mas o quê? Insistiu ela.</p>
<p>– Mas o quê fazer com essa informação?</p>
<p>– É por isso que liguei para você. Definitivamente, não sei o quê fazer!</p>
<p>– Como eu disse inicialmente: se você está procurando a merda para se separar, só aí faz sentido. Não que a minha opinião seja absoluta, &#8220;cada um na sua&#8221;, mas procurá-la para depois não saber o quê fazer, é onde reside o problema. Isso só vai atrair moscas para sua mão. Anteriormente você me disse que estava feliz, mas por que isso não bastava? Você não se acha digna dessa felicidade?</p>
<p>Depois de um breve silêncio, acrescentei:</p>
<p>– Sabe qual a senha que você se esqueceu de roubar? A que dá acesso ao coração.</p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folks!</p>
<p>Imagem: <em>Getty Images</em></p>
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		<title>MOONSTRUCK</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 20:33:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ontem teve início a fase da lua minguante, de um agosto extremamente gelado. No Sul, as temperaturas despencaram abaixo de zero grau e na minha varanda a sensação é de muito frio. É época de ventos fortes, vindos do sudoeste. Dizem que agosto é o mês do desgosto e que as noites são mais silenciosas e solitárias. O pôr do sol aconteceu exatamente às 17 horas e 33 minutos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1370" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="Moonstruck" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/08/lua.jpg" alt="" width="210" height="200" />Ontem teve início a fase da lua minguante, de um agosto extremamente gelado. No Sul, as temperaturas despencaram abaixo de zero grau e na minha varanda a sensação é de muito frio. É época de ventos fortes, vindos do sudoeste. Dizem que agosto é o mês do desgosto e que as noites são mais silenciosas e solitárias. </p>
<p>O pôr do sol acontece exatamente às 17 horas e 33 minutos. A cada dia ele deve atrasar um minuto a mais para se pôr, e adiantar um minuto para nascer, pronunciando assim a chegada da primavera que precede os dias quentes do verão. No inverno, as noites são mais longas e os dias mais curtos. Bom para dormir.</p>
<p>Sempre gostei das noites de lua cheia, já passei horas observando as suas crateras. As noites claras convidam para um passeio na escuridão, parecem noites de lobisomem. Dizem também que nesses dias quase não dá peixe, que eles se vão por enxergarem a silhueta e a sombra dos pescadores na água. E quanto mais frio fizer, mais estrelas aparecem no céu.</p>
<p>Da minha varandinha eu vejo o nascer da lua refletida nas águas do mar. A imagem, apesar de bela, é bastante ofuscada pelas fortes luzes que iluminam as noites da cidade. Não fosse a claridade eu já teria comprado um telescópio. Deve ser interessante aproximar um ponto na lente, por mais de seiscentas vezes. Imagine observar a lua? O que será que acontece no infinito das outras galáxias, das coisas que não conseguimos ver?</p>
<p>Outro dia nos sentamos na varandinha por horas, para contemplar o céu e seu esplendoroso crepúsculo. Os últimos raios que partem por detrás da montanha de Grumari deixam o céu num tom róseo e envolto por uma beleza quase indescritível.</p>
<p>– A vida poderia parar por aqui – eu disse.</p>
<p>– Vou congelar a imagem da minha retina na mente, para me lembrar para sempre de você – ouvi.</p>
<p>Quando jovem me lembro de ter escrito uma carta para uma tia e nela confessava que à tardinha eu subia no telhado para admirar o entardecer. O telhado era o ponto mais alto que eu podia chegar,  depois dele não havia nenhuma barreira para se ver todo o céu. Contei para ela que por volta das cinco e meia da tarde as nuvens ficavam cor-de-rosa e que eu aproveitava para falar com Deus. Nunca mais nos esquecemos disso.</p>
<p>Daqui também tenho vista para a rota dos aviões que partem do aeroporto do Galeão e do Santos Dumont. A cada intervalo de uns quatro minutos, vejo-os passar. Durante o dia as aeronaves quase não chamam à minha atenção, mas à noite é diferente. Me pediram que eu redobrasse a atenção caso duas luzinhas localizadas nas extremidades de cada asa, uma azul e outra vermelha, não piscassem. Poderia ser outro objeto voador que não um avião.</p>
<p>Noutra noite fui chamado às pressas para ver um ponto luminoso no horizonte, que mudava de cor constantemente. O tal objeto cintilava entre o lilás, o azul e o verde. Como conhecíamos a rota dos aviões e sabíamos que nenhuma aeronave ou helicóptero, planador ou balão, voavam de marcha à ré, logo concluímos que se tratava de um OVNI.</p>
<p>– Você não acha estranho que aquela luz se desloque em todas as direções e voe tão alto, com tanta rapidez e velocidade?</p>
<p>­– Tô achando muito estranho, sim – corri para pegar a filmadora.</p>
<p>– Filme você um pouco, enquanto observo daqui. Já dei o máximo de zoom na máquina, mas a mão não pode tremer porque o objeto está há uns três quilômetros de distância.</p>
<p>– Acho que estamos vendo um disco voador – concluímos juntos.</p>
<p>É muito estranho ver um deles e me parece que eles adoram pousar por aqui. Mas o bom mesmo é não vê-los sozinho, para não passar por mentiroso. Guardei as imagens filmadas e quem sabe um dia eu as entregue para um especialista analisar. Não me surpreendi com o que vi e imaginei que fossem seres de outro planeta, ou que fosse uma luz cintilante que resolveu nos visitar.</p>
<p>Hoje está bem nublado lá fora, e logo mais a noite chega. O crepúsculo ficará para o próximo dia de sol. Nesses dias de inverno, uma nevoa densa cai sobre meu bairro por conta da grande quantidade de lagoas nos arredores. A probabilidade de chuva está em 90 por cento, acumulada em 17 milímetros, e o vento não passa de 11 quilômetros por hora. No próximo dia 24, a lua estará com seu brilho máximo e na fase cheia. Tomara que a noite não esteja tão fria na varandinha, quero estar nela para contemplar a vida.</p>
<p><em>Moonstruck</em> ou <em>Feitiço da Lua</em> é um filme brilhante, estrelado por Cher e Nicolas Cage, de 1987. É um dos meus preferidos.</p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folks!</p>
<p>Imagem: <em>Getty Images</em></p>
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		<title>O HOMEM QUE COPIAVA</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 03:11:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era uma fila imensa à minha frente, para ser atendida. Acho que fiquei ali esperando por quase uma hora. A senhora que chegou um pouco antes de mim, acompanhada do seu marido − suponho −, rezingava em voz alta as mazelas da vida. Eu não tenho coragem de atender um telefonema em público, o que dirá contar as minhas particularidades. E minhas costas começaram a doer, coitada da minha coluna que já estava toda comprimida, e reclamava.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/velho.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1335" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="O Homem que Copiava" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/velho.jpg" alt="" width="210" height="200" /></a>Era uma fila imensa à minha frente, para ser atendida. Acho que fiquei ali esperando por quase uma hora. A senhora que chegou um pouco antes de mim, acompanhada do seu marido − suponho −, rezingava em voz alta as mazelas da vida. Eu não tenho coragem de atender um telefonema em público, o que dirá contar as minhas particularidades. E minhas costas começaram a doer, coitada da minha coluna que já estava toda comprimida, e reclamava.</p>
<p>Sempre tive o corpo meio dolorido. Se não dói aqui, dói ali. Quando jovem me lembro que sofria de fortes dores nas costas, não entendia se vinha da coluna ou dos rins. Minha mãe dizia que era friagem e o que sei é que realmente doía nos dias de muito frio. Atualmente, fortifiquei os músculos  da lombar com alguns exercícios e sempre me sento numa posição de dar inveja a qualquer fisioterapeuta. Mas meus ombros, meus joelhos, meus pulsos, facilmente sentem o cansaço e em boa parte do dia sinto-me fadigado. Minha alma e meu coração também deram de doer de uns tempos para cá.</p>
<p>Enquanto esperava ser chamado para o atendimento eu observava um senhor franzino, magrinho que era só osso, com um óculos de lentes &#8220;fundo de garrafa&#8221;, cravado no nariz e nas orelhas. Constantemente passava, dentro de um uniforme azul marinho, com uma pasta debaixo do braço. Logo deduzi que ele trabalhava ali. Era engraçado vê-lo mancar de uma perna e a sua agilidade me chamava à atenção. Seus cabelos brancos e a pele bastante irrugada revelavam uns 80 anos de idade, aproximadamente. Não demorou e o tal senhor foi até a copiadora com uma pilha de papeis.</p>
<p>Copiadora não é um objeto de difícil manuseio. Basta colocar a folha de cabeça para baixo e apertar o botão iniciar. Mas, lembrei-me que meu pai até hoje não quis usar o cartão do banco porque não sabe lidar com as máquinas de autoatendimento. Copiadora parece mais fácil e em alguns minutos, ainda no meio daquela fila, vi o velho tirar várias cópias com a presteza de um rapaz de 16 anos.</p>
<p>As pessoas que estavam na minha frente resmungavam o tempo todo pela longa espera. Serviços, num geral, aqui na nossa cidade, são péssimos. Não sabia se reclamar da fila, adiantaria. Resolvi ficar calado e não olhei para quem me pedisse cumplicidade. Mas, de tudo o que ouvia o que mais chamou à minha atenção foram as falas do simpático velhinho.</p>
<p>− Tudo bem com o senhor? − perguntou uma funcionária que chegava para usar a copiadora.</p>
<p>− Tudo ótimo, minha filha.</p>
<p>− Como foi a sua viagem? Quero saber dos detalhes.</p>
<p>− Foi ótima. Não é todo dia que vamos à Inglaterra e o meu inglês já não anda lá essas coisas − respondeu sorridente o velho senhor.</p>
<p>− Deu trabalho, mas aproveitei como se fosse a minha primeira viagem.</p>
<p>Ouvi quase todo o diálogo e fiquei impressionado com aquela pessoa que aos 80 anos ficou mais de 12 horas sentado na classe econômica de um avião para chegar ao Heathrow, o aeroporto internacional de Londres. Já em solo o sujeito também contou que ainda viajou algumas horas de taxi, para alcançar a cidade de destino, nos arredores da capital inglesa.</p>
<p>Acho que me surpreendi com aquele homem desde o primeiro momento em que coloquei os olhos nele. Não sei se a energia vinha do retorno das férias ou se era da natureza dele. Enquanto contava com brevidade as suas histórias eu me lembrava das minhas. Enquanto ele chegava ao fim da pilha de cópias, para dar lugar à colega que aguardava a vez, a fila rapidamente andou e fui atendido.</p>
<p>Se eu pudesse ficaria ali, ouvindo aquelas histórias e aquelas lembranças. Depois me lembrei que precisaria de uma cadeira e não tinha onde sentar.</p>
<p>Saí um pouco chateado daquele lugar. Saí pensando naquele homem. Saí de lá comparando-o a mim mesmo. Não é a primeira vez que me sinto meio &#8220;velho&#8221;, meio resmungão. Decidi que não vale a pena reclamar do tamanho da fila se nela eu precisar esperar. Também não pedirei a ninguém para que guarde o meu lugar. Fiquei imaginando que se aquele senhorzinho tivesse pressa que a fila andasse, que a copiadora copiasse, que a sua história da Inglaterra acabasse, se aproximaria mais rapidamente do fim. Ele já viveu 80 anos e se não tiver pressa, e ainda tiver a mesma disposição para o trabalho, talvez fique por muitos anos exercendo aquela função. Vai saber!</p>
<p>Você já deve ter ouvido por aí que os velhos voltam a ser crianças e muitas vezes agem como se fossem crianças. Eu tenho o grande prazer de conviver com pessoas mais velhas e confesso: é indizível o que sinto. De qualquer forma, para textualizar eu declaro que sou um eterno apaixonado por elas. Chamam à minha atenção e fica muito fácil compreendê-las quando dou ouvidos. Elas são mais carentes do que a carência afetiva que os mais jovens sentem. Elas são a soma do tanto de histórias que eles mesmos nos contam.</p>
<p>Decidi que se o meu corpo doer, vou ordenar para que meus pensamentos esqueçam a dor. E assim vou levando os meus dias, um após o outro, focado nos meus objetivos, focado no trabalho. Não terei pressa, mas terei a sabedoria, a disposição, e um sorriso estampado no rosto, exatamente igual aquele homem que copiava. E seguirei assim, até o fim.</p>
<p>Zé.</p>
<p>That´s all Folks!</p>
<p>Imagem: <em>Getty Images</em></p>
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		<title>O EMBALO DA VIDA</title>
		<link>http://joseph.blog.br/?p=1228</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 03:23:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A chuva gelada que cai no telhado de barro produz um som constante que embala o sono de toda a gente. Na grama o sapo coaxa e as cigarras que inundavam o verão já se foram. Cada qual, debaixo de dois ou três cobertores enrosca um pé no outro ou no pé do outro, para se esquentar e dormir. É tarde, e hora que outra se ouve os passos dos sujeitos de guarda-chuvas. Eles passam bem próximos à janela que dá para a calçada da casa. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1227" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="O Embalo da Vida" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/embalo_vida.jpg" alt="" width="210" height="244" />A chuva gelada que cai no telhado de barro produz um som constante que embala o sono de toda a gente. Na grama o sapo coaxa e as cigarras que inundavam o verão já se foram. Cada qual, debaixo de dois ou três cobertores enrosca um pé no outro ou no pé do outro, para se esquentar e dormir.</p>
<p> É tarde, e hora que outra se ouve os passos dos sujeitos de guarda-chuvas. Eles passam bem próximos à janela que dá para a calçada da casa. Vejo-os ao espiar pelas frestas largas da madeira. E se os cães daqui ladrarem, vários outros farão o mesmo no visinho, e no outro visinho, e assim o latido ecoará pelo bairro inteiro.</p>
<p> Seguiram noites geladas do inverno do Sul. Nessas noites as estrelas parecem se multiplicar na escuridão límpida do céu, e brilham.</p>
<p> − Tu estás vendo a quantidade de estrelas que invadiram o espaço? − perguntou-me ele.</p>
<p>− Claro que estou − respondi.</p>
<p>− Tu consegues ver as Três Marias?</p>
<p>− Sim, as vejo, ficam bem ali. E você vê o Cruzeiro do Sul?</p>
<p>− Sim, mas é melhor se tu não apontares.</p>
<p>− Não vá me dizer que dá verruga na ponta do dedo! − rimos juntos.</p>
<p>− Você sabe distinguir entre uma estrela e um planeta?</p>
<p>− Suponho que os planetas sejam os pontos mais brilhantes e os que parecem maiores − deduzi.</p>
<p>− O que será que existe além das estrelas, dos planetas, da imensidão?</p>
<p>− Você viu a pequena bola de fogo que caiu? Era uma estrela cadente.</p>
<p>Fechamos os olhos por um breve instante e cada qual fez um pedido.</p>
<p>− Vamos entrar? − perguntei ao meu pai.</p>
<p>− Vamos. Está muito frio aqui fora.</p>
<p> No dia seguinte uma nevoa densa tomou conta de léguas adiante. Essa névoa costuma insistir até o meio-dia, mas por enquanto encobre toda a visão à frente. Várias pessoas caminhavam pelo passeio delimitado entre os troncos grossos das árvores centenárias que rodeiam todo o bairro. Quase somem por entre a neblina que pronuncia um belo dia de sol.</p>
<p> Às seis da manhã, religiosamente, ouvem-se os sinos tocar. São vários deles espalhados pelo pequeno vilarejo, dada à proximidade das ingrejas. Nem precisa o galo cantar ou o despertador tocar.</p>
<p> O fogão de lenha parece coisa de antigamente, do interior distante da metrópole, ou coisa de avó. E o cheiro da lenha invade a casa e aquece os seus habitantes. Madeira molhada tem cheiro bom, mas enche a cozinha de fumaça até que a brasa apareça. Logo cedinho, a casa inteira cheira a café coado com água de chaleira fervente.</p>
<p> Sentei-me com a minha velha mãe, para ouvi-la.</p>
<p> − Bebê de carrinho que tu eras, eu não sabia o que fazer para não ouvir teus resmungos. O frio da noite fazia doer pés e mãos.</p>
<p>− Fui um bebê chorão, fui?</p>
<p>− Amarrei uma ponta do cordão no meu pé, e outra no carrinho, para embalar teu sono.</p>
<p>− Verdade? <em>− </em>duvidei.</p>
<p>− Se eu parasse, ouvia o teu choro e só me restava embalar.</p>
<p> Fui olhar as gotículas que se formavam e que quase congelavam quando pingavam das folhas. Na grama se estendia um tapete branco como o gelo. No pouco chão batido que restava, vários formigueiros se formavam por todo o canto. Achei estranho que as roseiras já tivessem botões. Imagino que permanecerão assim − guardados − esperando os dias mais quentes da próxima estação.</p>
<p> − Vamos entrar, meu filho? Está muito frio aqui<em>.</em></p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folks!</p>
<p>Imagem: <em>Getty Images</em></p>
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		<title>O IMAGINÁRIO MUNDO DO ZÉ</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 14:59:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pergunta Sem Resposta]]></category>
		<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Escolhas]]></category>
		<category><![CDATA[Futuro]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo Imaginário]]></category>
		<category><![CDATA[O Outro]]></category>
		<category><![CDATA[Superpoderes]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma vez um mundo de sonhos num lugar distante. Ele ficava um pouco longe da Terra e muito mais próximo das nuvens. Para se chegar lá a tarefa não era fácil, mas também nada impossível. Apenas seria necessário subir os degraus que separavam o mundo daqui do mundo de lá. Conheci um senhor aparentando certa idade e uma sabedoria que me deixou desajeitado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1178" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="O Imaginário Mundo do Zé" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/imaginario_ze.jpg" alt="" width="210" height="244" />Era uma vez um mundo de sonhos num lugar distante. Ele ficava um pouco longe da Terra e muito mais próximo das nuvens. Para se chegar lá a tarefa não era fácil, mas também nada impossível. Apenas seria necessário subir os degraus que separavam o mundo daqui do mundo de lá.</p>
<p>Conheci um senhor aparentando certa idade e uma sabedoria que me deixou desajeitado. Imaginei que o tempo e o número de batalhas que ele viveu, cada vez que descia para o mundo de cá, o tivessem deixado assim. Recém chegado, perguntei para onde me levaria o caminho que estava à minha frente? </p>
<p>− Preocupe-se apenas em como você fará esse caminho − respondeu-me firmemente.</p>
<p>No mundo de cá, não adianta querer prever o final porque ele é tão incerto quanto os desejos mais íntimos do nosso coração. A cada instante, toda vez que alguém toma uma decisão, seja a nossa ou a do outro, o futuro se modifica. Mas no mundo do lado de lá tudo é lisérgico, é diferente.</p>
<p>Não perguntei a ninguém se eu poderia ficar ali, se poderia pertencer àquele lugar, embora aquele fosse o mundo que eu imaginava exatamente como ele era. Mais tarde fui entender que ali só entravam os sujeitos de bom coração. Então meu acesso estava garantido, pensei.</p>
<p>Logo depois das primeiras montanhas havia um jovem de estatura média, corpo franzino, e nos olhos uma cor verde brilhante que me fitavam fixamente enquanto falávamos. Ele tinha a calma de um discípulo, parecendo um aprendiz das coisas da vida. E aos poucos me descreveu como era viver num mundo sem ter nada para esperar.</p>
<p>− Aqui você não experimenta a solidão, não espera por coisas que não virão, não chora de saudade, não tem medo da vida. Aqui, por volta das cinco e meia da tarde o sol que baixa atrás da montanha faz com que os últimos raios deixem as nuvens com um tom rosado <em>− </em>observe. E realmente entre o fofo branco e o tom róseo da nuvem o meu olhar se perdeu.</p>
<p>Quando caminho pelas avenidas lotadas da minha cidade, e observo cada rosto que passa por mim, fico pensando nas inúmeras vidas e histórias que se vão. Imagino os sonhos, as aflições, as angústias, a fome, o abandono, o frio, e os desejos que cada pessoa carrega consigo − nunca entendi porque sempre destaquei a tristeza às alegrias − e fico esperando por um olhar, que não vem.</p>
<p>Perguntei para alguns amigos − do mundo daqui − sobre quais eram os seus sonhos e pedi que me dissessem os três primeiros que lhe viessem ao pensamento. Todos sabiam que o primeiro dessa lista seria o mais respeitável e implicaria na escolha do segundo, do terceiro, e assim por diante. Se ganhar na loteria fosse o mais importante, logo você teria a ilusão de que todos os outros viriam facilmente. Engano.</p>
<p>A minha breve pesquisa apontou que quanto mais jovem, mais chance dos sonhos transitarem o campo do que é material. A grande maioria desejou carros, desejou casas; outros tantos desejaram mulheres, amantes. Já os de meia idade desejaram o encontro profissional, desejaram um amor, desejaram uma família, um lar. Os mais velhos, no entanto, ficariam felizes se ainda tivessem saudáveis, se tivessem amigos, se tivessem aposentaria e paz.</p>
<p>Pedi ao jovem rapaz que me dissesse se ele ainda estaria ali quando eu voltasse. Ele respondeu que sim, mas que provavelmente já não estaria tão jovem. Disse ainda, que se eu realmente voltasse, precisaria reconhecê-lo pelo olhar. Curioso, queria saber por quê? </p>
<p>− Você, como a grande maioria dos homens, que vive no mundo de lá, ainda não aprendeu a esperar e muito menos a aceitar as imposições da vida. Mas eu aprendi − sentenciou.</p>
<p>Nunca aceitei que o comodismo se instalasse em mim, embora precise admitir que é esse o meu estado de espírito. Só posso lamentar. Daí prefiro que o inconformismo seja uma propulsão para que eu me movimente em função da minha própria evolução. Entretanto, concluí que, nessa altura da vida, já tenho capacidade consciente e suficiente para juntar tudo aquilo que pretendo aprender sempre que visitar aquele lugar distante.</p>
<p>­− Posso lhe fazer uma última pergunta? − indaguei ao jovem rapaz.</p>
<p>− Foi você quem autorizou a minha entrada neste mundo? <em>− </em>respondeu-me que não, que fora o guardião.</p>
<p>Antes de descer e partir encontrei novamente o bom velho que me perguntou se eu havia gostado dali. Respondi que sim e que voltaria todos os dias da minha vida. Ouvi dele que se no dia seguinte eu não o encontrasse eu o reconheceria no jovem rapaz, e acrescentou: </p>
<p>− É ele quem perpetuará a minha sabedoria e reconhecerá o teu coração.</p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folks!</p>
<p>Imagem: <em>Getty Images</em></p>
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		<title>SOBRE HOMENS E PINGUINS</title>
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		<pubDate>Sun, 23 May 2010 12:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Outro]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[Pai]]></category>
		<category><![CDATA[Pinguins]]></category>

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		<description><![CDATA[Você assistiu ao filme A Marcha dos Pinguins de Luc Jacquet? Eu tive o prazer de comprá-lo para o meu acervo pessoal. Só pude vê-lo agora, mas seu lançamento foi em 2005 e em 2006 recebeu o Oscar de melhor documentário. Para mim, existem obras que valem a propriedade e devem estar sempre ali, na estante, catalogadas e eternizadas. Minha coleção ainda é pequena, mas desde já prefiro os filmes de arte e esse é um deles. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-916" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="Sobre Homens e Pinguins" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/05/pinguim.jpg" alt="" width="255" height="200" />Você assistiu ao filme <em>A Marcha dos Pinguins</em> de Luc Jacquet? Eu tive o prazer de comprá-lo para o meu acervo pessoal. Só pude vê-lo agora, mas seu lançamento foi em 2005 e em 2006 recebeu o Oscar de melhor documentário. Para mim, existem obras que valem a propriedade e devem estar sempre ali, na estante, catalogadas e eternizadas. Minha coleção ainda é pequena, mas desde já prefiro os filmes de arte e esse é um deles.</p>
<p>Lembro-me que na minha infância, quando precisávamos ir ao banheiro no meio da noite, para não ter que usar o pinico, meu pai tinha uma estratégia. Preciso contar que na zona rural daquela época, não existia saneamento básico e muito menos banheiros dentro das casas.</p>
<p>Eu e meu irmão costumávamos subir, de pés descalços, em cima dos pés calçados do meu pai. Ele pegava na mão da gente e nos conduzia à grama molhada, do sereno do inverno, exatamente como fazem os pinguins para proteger seus ovos e seus filhotes. Eles os carregam nos pés. E olha que meu pai não tinha a menor ideia de que esse instinto não é da nossa espécie e sim das simpáticas aves da Antártica.</p>
<p>As inacreditáveis marchas que os pinguins enfrentam são interessantíssimas. É o ciclo da perpetuidade. Mas, sabe o que mais chamou à minha atenção? Durante cada ciclo eles são extremamente fiéis um ao outro, mantendo uma relação de &#8220;amor&#8221;, devoção, e confiança para com o parceiro.</p>
<p>Num determinado dia do ano, num exato momento, vários grupos, que estavam dispersos pelo continente gelado, se encontram. Naquele instante, após o sinal de partida, todos enfileirados, quase equidistantes, procuram o gelo firme do deserto congelado que os protegerá do forte inverno. O curso dessa trajetória os leva ao acasalamento e à procriação, num doce e gelado lar.</p>
<p>Há alguns anos um professor meu citou um livro cujo nome me esqueci, mas tratava sobre a organização de uma sociedade de abelhas. Numa pesquisa rápida encontrei uma informação que diz que a grande maioria delas vive para o trabalho, são as chamadas abelhas operárias. Alguns machos, os zangões, têm a função de fecundar a rainha que põe em média cinco mil ovos ao longo de cinco anos de vida. Já as operárias, coitadas, só vivem 45 dias.</p>
<p>Li também sobre a sociedade das formigas. Dizem que são regidas por severa hierarquia, podendo ser chamadas de castas. Parte dos trabalhos é distribuída por tamanho e por idade. A grande maioria vive para o trabalho, que garante o alimento para os dias mais difíceis. Elas também têm funções na construção e manutenção dos formigueiros, que, geralmente, são obras de considerável engenharia. Essas sociedades são conhecidas por terem níveis avançados de organização – a eusocialidade.</p>
<p>Na minha família, por anos, trabalhamos de maneira organizada para garantirmos o nosso alimento, a seguridade social, a manutenção da casa, os serviços, as roupas, educação e lazer. Embora eu tenha me desligado lembro-me que tínhamos as tarefas distribuídas de forma hierárquica. Cada um era responsável por determinada função, para que o produto final da nossa pequena empresa familiar chegasse ao destino.</p>
<p>No curioso documentário de Bonne Pioche. Os pinguins, quando chegam ao curso final da sua marcha, após se passarem três luas e muito frio, manterão o ovo encaixado e bastante aquecido sobre os pés da pinguim mãe. Haverá mais algumas marchas ainda; haverá o revezamento para o aquecimento do ovo e muito, mas muito frio. No entanto, se a qualquer momento um deles falhar, encerra-se ali o ciclo desgastante da vida.</p>
<p>As donzelas mais elegantes, que tiverem mais sorte e atributos, ficarão enamoradas até que o filhote, numa fase mais adulta, vá embora para se alimentar e conhecer o mar. E, se na próxima temporada tiverem muita sorte, o feliz casalzinho pode voltar a copular e se enamorar de novo. Nada é impossível nesse mundo de Deus. Mas, se quando a próxima marcha for iniciada, poucos machos estiverem disponíveis, não haverá problema se o parceiro for um novo pinguim. O importante é que dentro de cada ciclo, os casais se reconheçam, sejam extremamente fiéis, e o concluam do início ao fim.</p>
<p>Lá em casa as coisas não mudaram muito. Hoje eu tô longe do ninho, por escolha, e sei que o ciclo de trabalho continua. Sei como é a luta diária para que consigam manter o pão sobre a mesa e todos os ovos aquecidos. Acho que não somos tão rígidos como as abelhas ou as formigas. Precisamos estar organizados socialmente para convivermos nessa organização desorganizada que inventamos. Para mim, estamos mais parecidos com os pinguins. Marchamos inconscientemente pela busca de nossos parceiros para que com eles possamos trocar amor, devoção, confiança. Para perpetuarmos e sermos felizes.</p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folks!</p>
<p>Imagem: <em>adorocinema.com</em></p>
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		<title>SERES COMPLEXOS</title>
		<link>http://joseph.blog.br/?p=900</link>
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		<pubDate>Wed, 19 May 2010 21:01:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Outro]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[De Volta Para o Futuro]]></category>
		<category><![CDATA[Efeito Borboleta]]></category>
		<category><![CDATA[Física Quântica]]></category>

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		<description><![CDATA[Adoro filmes que tratam de ficção científica – sobre realidade – em especial os que tem como base a Física Quântica. Já tem algum tempo que o cinema americano faz grandes investidas no gênero. Acho que a trilogia mais popular, quase precursora, é do filme De volta para o Futuro - Back tô the Future, do diretor Robert Zemeckis. O último título lançado foi em 1990.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img class="alignleft size-full wp-image-901" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="Seres Complexos" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/05/serescomplexos.jpg" alt="" width="210" height="200" />“Olhe à sua volta, se isso é um sonho o mundo todo está dentro dele.”</em> Sam Foster</p>
<p>Adoro filmes que tratam de ficção científica – sobre realidade – em especial os que tem como base a Física Quântica.</p>
<p>Já tem algum tempo que o cinema americano faz grandes investidas no gênero. Acho que a trilogia mais popular, quase precursora, é do filme <em>De volta para o Futuro &#8211; Back tô the Future</em>, do diretor Robert Zemeckis. O último título lançado foi em 1990.</p>
<p>Você se lembra de Marty McFly, um estudante rebelde que só pensava na namorada e era o fiel assistente do Dr. Emmett Brown? Você se recorda que, após algumas descobertas do cientista maluco, eles voltavam do passado ou iam para o futuro, na sua megamáquina – o automóvel DeLorian? Você se lembra que quanto ele atingia a velocidade de 140 km por hora, era transportado pelas partículas elétricas do condensador para a data programada?</p>
<p>Fiquei pensando na questão do que é real. Penso que o cinema traduz magnificamente o que pensamos sobre as questões da vida. Parece que quando vemos a vida representada na grande tela, somos também transportados para uma outra realidade. Imagino que isso se deva ao escurinho da sala, ao silêncio e a concentração das pessoas, às dimensões da tela e ao som espacial que nos envolve. Só mesmo uma pipoca para nos trazer de volta para esse mundo.</p>
<p>A minha formação acadêmica foi em Comunicação e o tempo todo falávamos sobre o que vemos, nossos estímulos, sentidos. Os filmes que assisti ao longo da minha vida também me ajudaram a melhorar à percepção da vida. Passei a observá-la de uma forma mais atenta e argumentativa. Tento decifrar o que é subjetivo, os símbolos e ícones, mas minha capacidade analítica não passa muito disso. No entanto, sou um belo observador do que pode ser real.</p>
<p>Você assistiu ao filme <em>Efeito Borboleta &#8211; The Butter Effect</em>, de 2004, com roteiro e direção de Eric Bress e Macky Gruber? Adoro o ator do filme, Ashton Kutcher. Um excelente ator de suspense e drama, embora aspirante à comédia. A chamada do filme é a seguinte: <em>Ele possui o dom de manipular o passado, mas não pode controlar o futuro.</em> No filme, o personagem de Kutcher descobre sua habilidade de voltar a consciência no tempo. Com isso, retorna várias vezes à sua conturbada infância. Contudo, melhorar uma questão no passado significava alterar as consequências no futuro.</p>
<p>O filme <em>STAY</em>, aqui traduzido como <em>A Passagem,</em> com Ewan McGregor, Noms Watts e Ryan Gosling, mostra suas personagens que vivem em, pelo menos, duas realidades ao mesmo tempo. Preciso contar algo muito particular: precisei assistir ao filme duas vezes para entendê-lo, mas, na segunda, optei por dublado em português. Isso para que eu não perdesse detalhes importantes, para que compreendesse as várias histórias que estavam sendo contadas – as várias realidades. Sabe aquele tipo de filme que começa pelo fim? Pois é, vou revelar alguns acontecimentos de <em>Stay</em>, no próximo parágrafo, com o intuito da análise. Se você pretende assistí-lo, por favor, pule para o seguinte.</p>
<p>Imagino que o cinema, geralmente, faça filmes que são obras fechadas. Claro que quando a leitura é feita por dois sujeitos, por si só, as interpretações serão um pouco diferentes. Se você observar, mesmo as trilogias ou os filmes sequenciais, I, II, III, IV e V, acho que não passa disso, tem início, meio e fim definidos. Entretanto, a proposta de Foster provavelmente foi uma só. Acabei concluindo que o único personagem que vivia na nossa realidade era Sam Foster. Henry, o pai e mãe, e a garçonete, provavelmente estariam mortos, ou seja, vivendo em outra dimensão.</p>
<p>Já a namorada, que  havia cortado os pulsos na banheira, suponho que também estaria morta durante a trama. É no final do filme que ela tem o primeiro encontro com o psiquiatra, o Dr. Sam. Para a Física seria muito simples e concebível que ela estivesse viva e morta ao mesmo tempo, mas para nossa realidade não. Para mim, Henry se mata duas vezes. Uma dirigindo o carro acidentado e outra se suicidando pela culpa, numa outra realidade, ainda que percebida somente por Sam.</p>
<p><em>“Os budistas têm razão: a vida é uma ilusão.”</em> Sam Foster</p>
<p>Já imaginou se tivéssemos um automóvel DeLorian, ou a capacidade de mudarmos o nosso nível de consciência para voltarmos ao passado, ou para avançarmos no tempo, a fim de modificarmos os acontecimentos ruins? Já experimentei algumas técnicas orientais que propunham a modificação do nível de consciência. Claro que você não altera em nada os fatos do passado, mas quando atingimos uma &#8220;melhor&#8221; consiência, que julgamos mais equilibrada, conseguimos modificar um evento lá no futuro. Ora, se hoje somos um ser melhor, com uma complexidade compreensível e ajustada, logo experimentamos uma melhor realidade num futuro próximo ou distante.</p>
<p>Entendo que, embora a ciência não comprove a vida após a morte, a realidade está acontecendo em outra frequência, em outra dimensão. Parece que Dr. Sam vivia em dois momentos reais e ao mesmo tempo. Havia um diálogo entre os dois mundos – as duas realidades. Interessante nisso é que os objetos tangíveis eram os mesmos nas duas dimensões, mas claro, esse é um recurso do cinema. Era uma visão questionadora do diretor. E na vida? Será que tem alguém usando o nosso espaço, as nossas coisas, ao mesmo tempo?</p>
<p>Será que estamos interagindo com outras dimensões, além das ondas eletromagnéticas, que não percebemos? Será que todos os que estão à sua volta, nesse exato momento, fazem parte da mesma realidade?</p>
<p>Enfim, somos seres complexos, eu, eles e você.</p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folks!</p>
<p>Imagem: <em>Getty Images</em></p>
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		<title>ELA NÃO TINHA UM GRANDE AMOR</title>
		<link>http://joseph.blog.br/?p=701</link>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 04:13:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Outro]]></category>
		<category><![CDATA[Pergunta Sem Resposta]]></category>
		<category><![CDATA[Alice]]></category>
		<category><![CDATA[Amores]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[Sonhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Os dias passam acelerados e essa velocidade acaba com o tempo da gente. Cada vez que me olho no espelho a face parece mais cansada, as pálpebras estão mais caídas, e percebo uma ruguinha ou outra que antes eu não via. E assim esse tempo se vai, escoando por entre os dedos, passando, passando e passando.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-702" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="Ela Não Tinha um Grande Amor" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/05/alice.jpg" alt="" width="210" height="200" />Os dias passam acelerados e essa velocidade acaba com o tempo da gente. Cada vez que me olho no espelho a face parece mais cansada, as pálpebras estão mais caídas e percebo uma ruguinha ou outra que antes eu não via. E assim esse tempo se vai, escoando por entre os dedos, passando, passando e passando.</p>
<p>Insisto em dizer que a minha maior busca é para que as coisas que vivo façam algum sentido, que não se percam nessa linha de tempo relativo e ilusório que só tem significado pra gente. O tempo pode ser um lampejo na imensidão do todo, ou uma eternidade para quem experimenta a solidão.</p>
<p>A vida na metrópole passa muito mais depressa do que a que vivi na infância. Lá se tinha tempo para a família, tempo para os amigos, tempo para  si. E ainda sobrava tempo.</p>
<p>Aqui na cidade grande tudo é diferente, faço quase tudo pela metade. Quando dou sorte encontro alguém para concluir aquilo que comecei. Sou autor de vários projetos inacabados. Não consigo ler o jornal por inteiro. Largo meus livros pela metade, quando chego no meio já me esqueci o que tinha acontecido no início da história. Quando me dou conta vejo que uma nova revista já se empilhou na mesinha de centro. O último dvd que comprei devo assistir no próximo final de semana. Não deu tempo para encontrar meus amigos para um café. Também não tive tempo para amar ninguém.</p>
<p>Opa&#8230; se tem uma coisa que não pode acontecer é não se ter tempo para amar alguém.</p>
<p>Outro dia passei resmungando e dizendo que não conseguia manter a casa limpa e saí com a seguinte máxima: passo os dias com a lista de prioridades colada na testa e o tempo que me resta utilizo para fazer nada, o que também ocupa muito tempo.</p>
<p>Nem sei se é melhor deixar que o tempo passe apressado, simplesmente me deixando levar por ele, ou se me modifico para não precisar reclamar. Depois penso: o que não fiz agora deve voltar à pauta um pouco mais adiante. E assim vou levando a vida do jeito que dá.</p>
<p>Das minhas maiores queixas sobre a falta de tempo é do tempo que deixa saudade, daquele que não volta mais. Sinto uma saudade de pessoas que passaram pela minha vida e que me fizeram bem. A propósito sinto saudades até de gente que nem conheci. Mas, a saudade mais dolorosa é a que sinto pela minha amada mãe. E ela tá bem longe daqui.</p>
<p><em>- Filho, quando você vem me visitar? Será que você poderia voltar a morar com a gente? Daqui há dez anos estarei muito velhinha e não terei a mesma disposição para te acompanhar, quero viver ao teu lado enquanto estiver lúcida e jovem -</em> sentenciou a minha mãe. Nesse dia eu chorei.</p>
<p>Eu queria que o tempo não passasse tão rápido e que a velhice não chegasse na gente. Queria que o homem tivesse menos dúvidas da sua existência e do fazer com o seu tempo. Eu queria que as pessoas vivessem em paz, mesmo estando rodeadas pelo agito de outras pessoas. Eu queria que as pessoas não sentissem a dor da saudade. Queria que ninguém sentisse solidão. Queria ainda que todos tivessem tempo de sobra para amar.</p>
<p>Você pôde assistir Alice? A personagem mergulha num sonho cheio de medos e de fantasmas. Alice não emociona, sabe por quê? Embora o tempo no filme fosse ilusório, entre o sonho e a realidade de Alice, ela não tinha um grande amor.</p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folk&#8217;s!</p>
<p>Imagem: <em>do filme Alice no País das Maravilhas.</em></p>
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		<title>LIGA DA JUSTIÇA</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Apr 2010 22:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Você se lembra da sala da Liga da Justiça e de seus membros? Bem... você precisa ter, pelo menos, uns 30 anos. Eram eles: Superman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Batman e Robin. Mais adiante, o quinteto ganha reforço com a chegada dos Super-Gêmeos, The Flash, Vulcão Negro, Homem Águia e Mulher Águia, Átomo e Arqueiro Verde.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-801" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="Super Amigos" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/05/super_amigos.jpg" alt="" width="210" height="200" />Você se lembra da sala da Liga da Justiça e de seus membros? Bem&#8230; você precisa ter pelo menos uns 30 anos. Eram eles: Superman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Batman e Robin. Mais adiante, o quinteto ganha reforço com a chegada dos Super-Gêmeos, The Flash, Vulcão Negro, Homem Águia e Mulher Águia, Átomo e Arqueiro Verde. O propósito desses heróis era combater a injustiça. Para isso, eles dispunham de uma super sala onde se reuniam para montar estratégias de combate ao crime. A história em quadrinhos foi criada pela DC Comics. Mais tarde, a Warner Bros transforma o desenho em versão animada.</p>
<p>Todos usavam seus super poderes para servir à humanidade. O Homem de aço era veloz e tinha visão de raios-X. A Mulher-Maravilha usava braceletes que desviavam as balas o oponente e um laço que prendia o bandido, obrigando-o a dizer a verdade, além do avião invisível guiado por telepatia. O Aquaman respirava embaixo da água e se comunicava com os animais marinhos por telepatia. Já o Batman concentrava seus poderes no cinturão e Robin era seu fiel aprendiz.</p>
<p>Você já leu algo sobre O Mito do Super-Homem? Existe uma teoria interessantíssima a respeito. O teórico Umberto Eco faz uma crítica ao super-herói dizendo que ele é a personificação estereotipada do poderio americano. &#8220;Nosso herói salva velinhas de ladrões; impede assaltos a bancos milionários; desmonta quadrilhas, mas não ajuda os miseráveis que vivem na rua; não acaba com as guerras por petróleo; não elimina o trabalho escravo&#8221;.</p>
<p>Quem nunca desejou ser o pateta do Clark Kent que, além de virar um super-homem imbatível, pega a mocinha Louis e ainda voava? Qual garota daquela época não desejou os musculosos braços do nosso herói?</p>
<p>Podia citar aqui um pouco de linguística, de semiologia. Podia citar os símbolos que todos esses personagens representaram para o consciente coletivo. Mas, prefiro me deter no desenho animado e com o que de mais inocente ele despertou na criançada.</p>
<p>Fiquei pensando nos heróis da minha vida real. Alguns ganharam esse título por merecimento e outros por insistência. Meu pai, que é meu oposto, eu considero um herói. Salvou-me várias vezes dos monstros que surgiram na minha vida. Salvou-me de abelhas gigantes e ferozes; me ensinou a lutar, a me defender, e a fugir quando necessário. Minha mãe era tão heroína quanto a Mulher-Maravilha. Pilotava diariamente uma nave invisível chamada de lar. Todo o esforço feito para manter a aeronave planando, quase nunca era percebido. Eu via a louça lavada, a casa perfumada, e a comida na mesa. Meu irmão era meu Super-Gêmeo, passamos uma infância inteira tentando ativar uma motocicleta sem motor; acionando nossos anéis para que o nosso autorama nunca deixasse de funcionar, e vivíamos brigando.</p>
<p>Ainda tive e tenho, em tempo presente, outros heróis, os que insistem em me acompanhar, os que não desistem fácil. Estes são extremamente generosos e humanos e fazem de mim um super homem.</p>
<p>Você percebe que vivemos por muito tempo no mundo das nossas fantasias? Nem precisa ser criança para isso. O que acontece é que temos a capacidade de fantasiar os movimentos para que eles nos pareçam mais animados e leves, menos difíceis e dolorosos. Desenhamos os nossos desejos de uma forma que tudo seja mais facilmente aceito, ainda que eles não sejam legítimos.</p>
<p><img class="size-full wp-image-800 alignleft" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="Liga da Justiça" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/05/liga_da_justica.jpg" alt="" width="210" height="200" /></p>
<p>Hoje, meu maior herói é esse que vos escreve. Mas, não cheguei até aqui sozinho. Vários outros personagens se inseriram na minha história. Alguns foram convidados e outros a invadiram. Meus heróis são diferentes. Para eles, sou eu quem determina a quantidade de poderes e como esse poder será usado sobre mim. Dou todas as armas solicitadas: capas, braceletes, naves invisíveis, mas limito seus poderes conforme me convém e os tiro sempre que necessário. E diga-se, preciso muito de cada um desses heróis, reais ou imaginários.</p>
<p>Acho que a paixão é o sentimento campeão do mundo do que não é real. É raro dois seres apaixonados emitirem exatamente a mesma frequência. Geralmente, um deles está apenas imaginando, inventando, desejando, e insiste em permanecer na fantasia. Este pode ficar por muito tempo aprisionado na “sala da injustiça”, montando as mais complexas estratégias de sobrevivência e aprisionamento. Mas, no fundo, vai perceber que o esforço foi em vão e que o herói mais importante estava dentro de si mesmo. </p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folk&#8217;s!</p>
<p> Imagem: <em>da rede.</em></p>
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		<title>MULHERES QUE ME CANTAM</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 02:05:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sei Lá, Mil Coisas]]></category>
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		<description><![CDATA[Passei os últimos dias confinado no meu apartamento, solitário em mim. Sempre gostei do silêncio da casa, da calmaria, do frio, dos dias nublados. Nunca aceitei que a minha alma se refletisse no peso de uma nuvem cheia de água, mas esses dias me encantam. O bom de tudo isso é que nunca passei, um dia sequer, sozinho. E sou um cara bem feliz.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><img class="alignleft size-full wp-image-677" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="Mulheres Que Me Cantam" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/cds.jpg" alt="" width="210" height="200" />Passei os últimos dias confinado no meu apartamento, solitário em mim. Sempre gostei do silêncio da casa, da calmaria, do frio, dos dias nublados. Nunca aceitei que a minha alma se refletisse no peso de uma nuvem cheia de água, mas esses dias me encantam. O bom de tudo isso é que nunca passei, um dia sequer, sozinho. E sou um cara bem feliz.</p>
<p>Contei 98 CDs empilhados na minha estante. Eu sei que a minha CDteca é pequena, mas cada um deles tem grande importância na minha vida. Alguns eu ganhei de presente, outros comprei, e apenas dois títulos raros são cópias, todo o restante é original.</p>
<p>Acho que a música é como cenário, é como perfume. Ela está ali, como trilha sonora para a vida que segue no plano da frente, aguçando os sentidos. Se estivermos agitados, um som dançante provavelmente tocará aos ouvidos. Se estivermos calados, a melodia e o instrumental serão diferentes, as letras serão outras. Para uns, cheiros trazem à lembrança.</p>
<p>Sempre curti MPB e de alguns cantores sou fã incondicional. Nunca tive a obra completa de nenhum deles, de alguns fui ao show e outros simplesmente falam ao meu coração. Aliás, uma música é feita para tocar a alma de milhares de pessoas, como duplicata afetiva. Algumas realmente parecem ter sido compostas e cifradas no céu.</p>
<p>Tenho o hábito de ouvir rádio quando tô no carro e com o tempo descobri alguns artistas que antes eram desconhecidos para mim. Daí, fico dias aguardando para ouvir novamente aquela canção, pra jogar na rede o pedacinho da letra que consegui memorizar. Assim descobri <a title="Palavras do Coração" href="http://www.youtube.com/watch?v=CybFAalDP_w" target="_blank">Bruna Caram</a>,  <a title="Arrastando Maravilhas" href="http://www.youtube.com/watch?v=7hFfG6mrPeE" target="_blank">Marcela Biasi</a>, e <a title="A Miragem" href="http://www.youtube.com/watch?v=SfoH5q-wQe4" target="_blank">Jay Vaquer</a>, para citar alguns. Se estão na linha de produção ou fora de linha, não importa. Se eu gostar da obra, posso buscá-la no antiquário ou no museu.</p>
<p>Quase ninguém conhece o trabalho do Jay. Os únicos quatro CDs lançados estão comigo – deve ser por isso. Só agora me dei conta de que tenho a obra completa de alguém. O som do cara é uma revolta contra o contexto e as diferenças sociais em que vivemos. Uma garotada meio emo, meio esquisita, também curte. Bem&#8230; deve ser o meu outro “eu” que se identificou. Fui a todos os shows do Rio, do Teatro Odisseia ao Canecão.</p>
<p>Em casa quase toda a minha coleção está digitalizada no HD, além dela eu também curto ouvir rádios internacionais pela rede. Se eu passar o dia em casa é com elas que vou estar. Bem acompanhado, não?</p>
<p>Não sei se é coisa de gaúcho, mas fui um apaixonado pela <a title="Fico Assim Sem Você" href="http://www.youtube.com/watch?v=sm6MMafrjXo" target="_blank">Calcanhotto</a>. Escrevi no pretérito passado porque ela sumiu. Aliás, sumiram com quase todo o elenco da EMI e da Sony. Faz tempo que Adriana não grava nada e Partimpim eu não quis comprar. Se aparecesse algo parecido com Perfil ou Público, lá estaria eu, na porta da Fnac, para ser primeiro comprador do pré-lançamento. Não há nada igual ao CD embrulhado naquele plástico que ninguém consegue abrir só com os dedos. E dentro vem a capinha com o release, as fotos e alguma historinha no capricho. É muito prazeroso chegar em casa e curtir a obra que o cara concebeu.</p>
<p>Além do Jay, preciso dizer da minha sedução pela música do <a title="Mantra" href="http://www.youtube.com/watch?v=WnltBv9nCro" target="_blank">Nando Reis</a> e por tudo que a <a title="Luz dos Olhos" href="http://www.youtube.com/watch?v=apXxepen87E" target="_blank">Cássia</a> cantou. Quando a ouço tenho vontade de ficar descalços, meio bicho-grilo. Acho que tudo o que ele compôs pra ela foi por engano, ele compunha para mim.</p>
<p>Assisti aos últimos shows do <a title="Um Pouco de Calor" href="http://www.youtube.com/watch?v=8JfpxylKMlk" target="_blank">Ney</a>, mas para falar dele eu teria que entrar em outra atmosfera. O Ney é outra coisa, é singular, é outro papo. O meu universo pop musical brasileiro não vai muito além das mulheres que me encantam. Nem me propus citar os <em>cults</em> daqui porque sinceramente nem curto tanto. Tô falando de música para o “dia-a-dia”, pro meu cotidiano, para companhia.</p>
<p>Parágrafo a parte, preciso confessar que eu cedi aos encantos de <a title="Entreolhares" href="http://www.youtube.com/watch?v=YnZ0JBp4wWE&amp;feature=fvst" target="_blank">Ana Carolina</a> um pouco mais tarde. Acho que do Multishow ao 9 ela conseguiu com que eu me entregasse. O show é realmente bárbaro. Ela é realmente ótima e um tesão.</p>
<p>Para fechar a minha lista, anota aí: <a title="Ainda Gosto Dela" href="http://www.youtube.com/watch?v=cBjYLnyHCkg" target="_blank">Skank</a>, <a title="Amado" href="http://www.youtube.com/watch?v=HYHHrcEPJH4" target="_blank">Vanessa da Mata</a> e, <a title="Cara Valente" href="http://www.youtube.com/watch?v=sBB43DLRbe0" target="_blank">Maria Rita</a>.</p>
<p>Para fechar o meu texto, encabeçando o topo da minha <em>play list</em>: <a title="Mais Uma Vez" href="http://www.youtube.com/watch?v=PFtTltls4_k" target="_blank">Marisa</a>. Nunca entendi como ela se casou com Pedro Bernardes, mas dizem que se separou. Se ela quiser, dou casa, comida, roupa lavada e um milhão por mês.</p>
<p>Inseri um link para a minha canção preferida no nome de cada cantor. Que bom que a gente não precisa mais virar o disco. Acionei o meu <em>repeat.</em></p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folk&#8217;s!</p>
<p>Imagem:<em> Getty Images.</em></p>
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		<title>PELO TEMPO QUE RESTAR</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Mar 2010 02:01:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A verdade mais exata do homem está no seu código genético – no DNA. Depois de concebido não há como alterá-lo, tão pouco fugir dele. As informações herdadas dos nossos pais estão contidas no nosso sangue, nas nossas células, nas nossas moléculas. São elas que determinam com exatidão a nossa altura, a cor dos nossos olhos, a cor da pele e do cabelo, nossa capacidade de aprendizado, enfim. Sem falar que o gene define a sexualidade, parte do caráter, e até mesmo traços da nossa personalidade, embora possamos moldar a nossa individualidade com o tempo e com as nossas experiências.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/03/einsfeld.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-647   alignleft" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="Família Einsfeld" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/03/einsfeld_menor.jpg" alt="" width="320" height="200" /></a>A verdade mais exata do homem está no seu código genético – no DNA. Depois de concebido não há como alterá-lo, tão pouco fugir dele. As informações herdadas dos nossos pais estão contidas no nosso sangue, nas nossas células, nas nossas moléculas. São elas que determinam com exatidão a nossa altura, a cor dos nossos olhos, a cor da pele e do cabelo, nossa capacidade de aprendizado, enfim. Sem falar que o gene define a sexualidade, parte do caráter, e até mesmo traços da nossa personalidade, embora possamos moldar a nossa individualidade com o tempo e com as nossas experiências.</p>
<p>Na linhagem do indivíduo está armazenada milhares de informações que o torna membro social de determinado grupo, relativamente parecidos entre si, mas com certa exclusividade. O alemão é muito diferente do indiano, que é muito diferente do inglês, que é muito diferente do árabe, que é completamente diferente do japonês, que não se parece com o brasileiro. Cristãos tentem a ter filhos Cristãos. Muçulmanos seguem o Alcorão. Descendentes de chineses nascem Comunistas e tem grandes chances de seguirem o Budismo ou o Taoísmo. Filhos de pobres tem mais possibilidades de permanecerem pobres e descendentes da realeza tem mais chances de se perderem no caminho.</p>
<p>Nem todos os filhos serão criados pelas mães que os geraram, mas os traços genéticos estarão gravados neles e os acompanharão vida afora. Acredito que mesmo na morte os nossos registros permanecerão impressos em nós, em nossas almas.</p>
<p>Se boa parte do que somos foi herdado por nossa educação, ou pelo meio, outra parece ter sido codificada em nós. Eu, por exemplo, sou descendente de alemão e carrego na personalidade o seguinte perfil: sou bastante teimoso, geralmente orgulhoso, um pouco bronco, e muitas vezes frio. Para melhorar esse quadro também posso citar adjetivos melhores: sou um sujeito alegre, quase sempre otimista, trabalhador e muito cervejeiro. Falei que descendia de alemães, adoramos chucrutes e cerveja.</p>
<p>Engraçado que puxei pela família da minha mãe – dos Einsfeld. Me pareço mais com meu avô e meus tios maternos. Nasci alto, loiro dos olhos claros, cabelos lisos, um verdadeiro charme – modéstia à parte hoje é dia do meu aniversário e posso me gabar um pouco – e muito temperamental, exatamente igual àquele povo.</p>
<p>A família do meu pai, talvez por ter se formado num centro urbano, não manteve as mesmas raízes que os Einsfeld. Aqueles sim mantiveram as tradições alemãs da colônia. Vieram para o Sul das Américas para plantar.</p>
<p>Lembro-me que quando era criança íamos para as festas de Kerb no Alto Feliz. Tratava-se de uma festa germânica do povo do Sul. Os encontros geralmente se davam em torno de festividades religiosas, quase sempre protestantes, reunindo centenas de familiares que passavam três dias degustando comidas tipicamente deliciosas. Todos os quitutes eram preparados pelas mulheres, enquanto os homens se encarregam dos assados e das cervejas. Mas a coisa toda era muito grande e para uma criança tudo ficava ainda maior. Para você ter uma ideia eles matavam uns três porcos, umas quatro vacas, e dúzias de cervejas eram enterradas no solo para fermentar e gelar.</p>
<p>Tem coisa mais bela do que a família da gente?</p>
<p>Acredito que quando conhecemos a nossa família as chances de nos conhecermos de verdade aumentam. Fico pensando que as minhas atitudes são tão parecidas com as do meu pai e da minha mãe, que devem se parecer com as dos meus avós e assim sucessivamente, mantendo as devidas proporções de época e de tempo. E o mais interessante é que quando me distancio deles, sempre aparece alguém para me lembrar quem eu realmente sou.</p>
<p>Hoje completo 37 primaveras, embora tenha nascido no outono. Não sei se todas foram bem vividas, mas francamente me vejo um cara melhor do que fui no passado. Se olhar para esse passado é olhar para os que me antecederam confesso que sou igualzinho a eles, sem tirar nem por. Nossas diferenças estão nas oportunidades que a vida apresentou e isso é particular para cada um. Vivemos num novo tempo.</p>
<p>Imagino que eu não estaria feliz se tivesse continuado o caminho que escolhi ao lado dos meus familiares. Não por eles, mas por mim. Tudo numa grande metrópole é diferente de lá. Acho que o meu sonho não mais caberia lá. Também nasci sob o signo do fogo, de Áries, e livre. Minhas raízes são mais flexíveis, se prendem ao solo com facilidade ao mesmo tempo que se soltam sem maiores prejuízos. Posso mudar a todo instante sem que com isso eu morra.</p>
<p>Estou muito longe daquela família que amo de forma imensurável, mas só fisicamente. Eles acompanham diariamente o meu coração e ocupam os meus pensamentos. Eles são parte de mim e de todo o tempo que me resta.</p>
<p>A foto retrata a família Einsfeld, os Pansenhagen e agregados. Por si só a imagem dispensa comentários, é só clicar na imagem para ampliar e apreciar. Que bela época! Acho que o Alto Feliz estava muito contente naquele dia. Não me lembro quem é a noiva, mas devo ter um pouquinho dela no meu sangue. Lá no meio consigo ver a minha avó. Eu não a conheci pessoalmente, mas tenho a nítida impressão de já ter vivido com ela numa outra vida.</p>
<p>Se você tem a sua família por perto, repense a vida, aproveite-os. Foi deles que você veio e é você o sucessor desse trono – a continuidade. Sabe-se lá se num futuro os netos dos seus netos não ficarão felizes se encontrarem uma foto da família. Já imaginou como será bom se eles virem você retratado nela?</p>
<p>Esse texto é dedicado à minha avó Julita, pelo carinho eterno que sinto por ela; também ao meu avô Arsênio, à minha avó Jacques, e ao avô Hugo; dedico ainda à saudosa tia Lene e ao tio Astor. (in memorian)</p>
<p>Aos meus pais e aos meus irmãos vai o meu costumeiro evoé, um dia retornarei. Ao Ary estimo o meu mais sincero sentimento de gratidão. Fiz escolhas e hoje só permito ao meu lado pessoas que amo. Para os meus amigos guardo uma fatia de torta de ameixa com doce de leite e muita cerveja, é só aparecer. E digo ainda, eu saberei reconhecê-los pela eternidade.</p>
<p>Zé.</p>
<p>That’s all Folk’s!</p>
<p>Imagem: <em>arquivo pessoal</em><a href="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/03/einsfeld.jpg" target="_blank"></a></p>
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		<title>BOTÃO REWIND</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Mar 2010 15:02:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Você já ouviu falar no Efeito Borboleta do matemático norte-americano Edward Lorenz? Ele consiste na representação gráfica do bater das asas de uma borboleta. Este termo refere-se às condições iniciais, de qualquer movimento dentro de um sistema, da Teoria do Caos. É como se uma simples borboleta batesse suas asas numa ilha distante e, do outro lado do mundo, dentro de algumas semanas, sentiríamos o seu efeito – como um tufão, por exemplo. A relação proposta é de causa e efeito. Lorenz mostrou, através de um cálculo, que é possível prever os resultados dos sistemas lineares, mas os resultados são sempre imprecisos nos sistemas não-lineares.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-802" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="Botão Rewind" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/05/botão_rewind.jpg" alt="" width="210" height="200" />Você já ouviu falar no Efeito Borboleta do matemático norte-americano Edward Lorenz? Ele consiste na representação gráfica do bater das asas de uma borboleta. Este termo refere-se às condições iniciais, de qualquer movimento dentro de um sistema, da Teoria do Caos. É como se uma simples borboleta batesse suas asas numa ilha distante e, do outro lado do mundo, dentro de algumas semanas, sentiríamos o seu efeito – como um tufão, por exemplo. A relação proposta é de causa e efeito. Lorenz mostrou, através de um cálculo, que é possível prever os resultados dos sistemas lineares, mas os resultados são sempre imprecisos nos sistemas não-lineares.</p>
<p>A equação de Edward pode ser aplicada em qualquer área da ciência, seja ela exata, médica, biológica ou humana. Inclui-se aí a psicologia e o pensamento. Ou seja, para a teoria, tudo o que fizermos hoje, dentro de um determinado período de tempo, considerando as variáveis, sentiremos os efeitos e resultados no futuro. Se toda a ação causa determinado movimento e obtém um determinado resultado, sua reação, que é imprevisível, pode modificá-lo instantaneamente. Então, quando tomamos uma decisão mínima, mas espontânea, podemos produzir resultados inesperados num futuro incerto.</p>
<p>Ontem, estava saindo atrasado para o encontro com uma amiga quando o telefone tocou. O problema é que eu estava do lado de fora do meu apartamento e tinha resolvido trancar a porta com a Dobermann, aquela chave com quatro dentes que impede que qualquer um adentre a intimidade da sua casa sem ter sido convidado. Que sensação de insegurança que sinto. Mas, precisava decidir se destravava tudo novamente, para atender ao telefone, ou se seguia meu destino sem atendê-lo.</p>
<p>Se tivesse decidido seguir, teria ficado a noite de sábado sem o esperado encontro. Claro, para isso inventaram o celular. Óbvio que tenho um, mas tô tentando exemplificar a Lei de Causa e Efeito sobre à minha escolha. Só eu sei o número de telefonemas que resolvi não atender. Só Deus sabe o que realmente perdi. Mas, eu atendi e, fui surpreendido com o cancelamento do encontro. Também é obvio que eu não perderia uma noite de sábado, em função de uma simples negativa. Encontrei um desses bares super bacanas onde você vê gente interessante, ouve-se a boa música do DJ renomado, bebe-se um drinque e de quebra dá para dançar um pouco.</p>
<p>Você observou a foto? Viu o número de controles remotos que tenho sobre a mesinha de centro? Acho que esse tipo de controle é uma das melhores invenções do homem. Parece que o primeiro surgiu nos anos 50, para controlar uma televisão. Uma das teclas de acesso chama <em>REW &#8211; rewind</em>, que deu origem ao título do meu texto. O botão tem como função retroceder, fazer o filme voltar. O pequeno aparelho, que geralmente opera por infravermelho, mas também por sinais de rádio, é capaz de me deixar sentado no sofá controlando quase todos os eletrodomésticos da casa. Dá pra controlar da temperatura do ar-condicionado, até a próxima faixa do meu <em>play list</em> no <em>media player</em>. Com ele posso pausar, avançar ou retroceder uma imagem, um som. É impensável viver sem ele.</p>
<p>De fato consigo controlar quase todos os sistemas lineares do meu confortável lar doce lar, meu cantinho, meu cafofo. Até aqui tudo bem. Esses sistemas, de tão modernos, raramente produzem &#8220;ruídos&#8221;; seus resultados são bastante precisos e o meio leva ao fim desejado. Mas, e aquilo que não conseguimos controlar? Quem sabe um dia alguém sofistique o controle remoto para que possamos controlar mais, com o menor esforço, e ainda mais distantes.</p>
<p>Você deve ter assistido ao filme de Eric Bress e J. Mackye Gruber, chamado de <em>The Butterfly Effect</em>. O personagem de Ashton Kutcher, Evan Treborn, tem o poder de voltar ao passado. Sempre que modifica uma ação todo o futuro das pessoas envolvidas é alterado, incluindo o dele. É claro que o mocinho volta várias vezes no tempo, a fim de escolher o final mais feliz para si e para a mocinha que ele tanto ama. O filme é genial.</p>
<p>Eu, se na noite de ontem tivesse escolhido não atender ao telefone, agora estaria morrendo de dor de cotovelo por ter sido abandonado em plena noite de sábado.</p>
<p>Se eu pudesse me materializar no passado, quanta coisa modificaria. Faria tudo diferente e com certeza acertaria mais. No entanto, como é difícil se projetar no futuro. O que complica é que ele é apenas uma projeção dos seus pensamentos. Tem teorias que afirmam que o futuro é agora. Que o futuro é completamente equalizável e que está acontecendo nesse instante em outro espaço de tempo. Temos o poder da escolha, ficando tão somente ao acaso da reação do outro, e suas consequências.</p>
<p>Bem&#8230; se podemos escolher melhorar o nosso futuro e o futuro do outro, sem causar danos ao Universo, porque insistimos em nossos erros? Por que repetimos fórmulas tão bem calculadas que deixam prejuízos para si e para o outro?</p>
<p>Para constar, vou citar a fórmula matemática de Lorenz que diz:</p>
<p><em>Um sistema dinâmico evoluindo a partir de ft indica uma dependência estreita entre as condições finais em relação às iniciais. Se for arbitrariamente separado um ponto a partir do aumento de t, sendo um ponto qualquer M aquele que indica o estado de ft , este mostra uma sensível dependência das circunstâncias finais a partir das iniciais. Portanto, havendo assim no início d&gt;0 para cada ponto x em M, onde na vizinhança de N que contém x exista um ponto y e um tempo τ temos:</em></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-803" title="formula_teoriabolha" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/05/formula_teoriabolha.jpg" alt="" width="170" height="21" /></p>
<p>Você já se deu conta de que tem o poder de modificar o amanhã, em função das suas escolhas e suas ações? Imagine como seria se você inserisse na fórmula acima as pequenas decisões da suia vida? Para que lado as asinhas da sua borboleta bateriam hoje?</p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folk&#8217;s!</p>
<p>Imagem: <em>arquivo pessoal</em></p>
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		<title>O MUNDO REAL DAS CONTAS A PAGAR</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2010 01:03:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[Escolhas]]></category>
		<category><![CDATA[Money]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Verão]]></category>

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		<description><![CDATA[Já é março e as águas desse mês estão fechando o verão. Assim cantava Elis, que também dizia que havia promessa de vida no seu coração. Realmente lá fora a chuva refresca as últimas noites quentes do período, e muita coisa se fecha. Fecha-se o ciclo da estação. É o fim de um caminho. É o resto de tudo e de tudo o que ficará sozinho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-637" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="O Mundo Real das Contas a Pagar" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/03/chuva.jpg" alt="" />Já é março e as águas desse mês estão fechando o verão. Assim cantava Elis, que também dizia que havia promessa de vida no seu coração. Realmente lá fora a chuva refresca as últimas noites quentes do período, e muita coisa se fecha. Fecha-se o ciclo da estação. É o fim de um caminho. É o resto de tudo e de tudo o que ficará sozinho.</p>
<p>Pena que quando passo a régua nunca resta nada e sempre falta o principal &#8211; <em>money</em>. Mas não dá para pensar que é esse o fim de tudo. Muito pelo contrário, todo mundo tem um projeto guardado na gaveta e se você não tem é hora de montar o seu.</p>
<p>Sempre confiei na vida, na providência divina, e naquilo que está guardado para a gente. Acredito em mim, na minha generosidade, e na generosidade alheia. Este último quesito é muito sério e muito particular. Entretanto, se não acreditarmos que alguém nos dará um empurrãozinho, parecerá o fim. Também acredito naquilo que virá sem que você faça o menor esforço, seja para o bem ou para o mal. Está escrito, traçado no seu destino, e ponto. É a sorte e o infortúnio de cada um, de cada homem. E não adianta reclamar porque nada se modificará.</p>
<p>A vida realmente não é fácil para quase todo mundo. Fico me perguntando se quem nasceu príncipe realmente mereceu? O que será necessário fazer nessa vida para que num amanhã todos tenham os mesmos privilégios? Se alguém souber, por favor me avise. Mas não vá se esquecer que para existir um rico que seja, serão necessários vários pobres. É esse o sistema de capital que escolhemos viver.</p>
<p>Desejei várias vezes na minha existência ser um outro ser que não um homem. Se eu pudesse escolher uma outra forma de vida, acho que seria feliz se fosse uma nuvem. Passaria o dia vagando de um lado para o outro, à deriva, e sem pressa. E, por fim, viraria a chuva que cai na cabeça do homem. Ou evaporaria sem que ninguém tivesse me notado.</p>
<p>Já que a vida de uma nuvem é muito breve, acho que ser uma planta também me faria feliz. O importante dessa filosofia é ficar sem fazer nada &#8211; apenas existir. Para ser uma planta você só dependeria da terra, da água da chuva, e do sol para a sobrevivência. Se em algum momento um desses elementos faltasse, restaria o fim. E isso nem é tão ruim.</p>
<p>Sempre achei que a luta pela subsistência é cruel. Talvez em outros sistemas de sociedade, como no socialismo, no comunismo, ou nos povos que só vivem da caça, seja mais fácil. Ou quem sabe a vida foi mais fácil em algum lugar do passado. Aqui vivemos para competir e o caminho da competitividade é difícil, é longo, é vertical. Eu juro que se soubesse disso tinha escolhido, de verdade, ser uma nuvem ou uma planta.</p>
<p>Por que será que a vida é muito mais colorida quando se tem dinheiro? Ô pergunta de resposta fácil. Quem contraria a célebre frase de que dinheiro não traz felicidade é porque nunca o experimentou. O correto seria dizer que o dinheiro compra a felicidade. Eu não vejo nenhum problema nisso. Recursos podem comprar de tudo que é bom e de tudo que é ruim. É só escolher e pagar a vista. Que maravilha!</p>
<p>E as contas do mês? Nunca vi pipocar tanta conta sobre a minha mesa. A manutenção da vida custa muito caro. Nunca fui de extravagâncias, tão pouco de grandes luxos. A propósito nunca tive um trabalho que me pagasse fortunas. Na minha vida a coisa sempre empatou. Trabalho pouco e ganho pouco. Um dia ainda viro bicheiro ou marajá.</p>
<p>Você já deve ter ouvido o seguinte conselho: trabalhe mais porque o trabalho enriquece e dignifica o homem. Pois é, sempre achei que é mais inteligente quem trabalha menos e ganha mais. A impressão que tenho é de que não me dei muito bem em nenhuma dessas indicações. Tô precisando mudar a minha filosofia de trabalho, ou quem sabe de vida.</p>
<p>A chuva sempre trouxe a bonança para o homem. Nem vou citar a destruição que o excesso de chuva causa porque essa culpa é do homem, do lixo do homem. É culpa do desmatamento feito pelo homem, das construções nas encostas, da imprudência e da sua burrice. Sempre o homem.</p>
<p>Mas, depois das cheias pelas chuvas da estação o solo fica enriquecido e as sementes germinam. Depois das chuvas o ar fica despoluído e fresco, e nossos olhos enxergam um belo horizonte distante. Depois da chuva vem o arco-íris e a paz.</p>
<p>Ah&#8230; deixei as contas para pagar depois. Afinal de contas, durante a chuva o meu coração se enche de alegrias e se renova de esperanças.</p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folk&#8217;s!</p>
<p>Imagem: <em>Getty Images</em></p>
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		<title>GOOGLE LOVE</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 02:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Meyer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sei Lá, Mil Coisas]]></category>
		<category><![CDATA[Busca]]></category>
		<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<category><![CDATA[Google]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Virtual]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia fui surpreendido com uma cartinha do Google. Eu nunca imaginei que um dia receberia uma correspondência, pelo correio, com aquele logo colorido em azul, vermelho, amarelo e verde. Fiquei muito curioso para saber o motivo pela qual uma das empresas do Google Inc. estivesse à minha procura. E como me encontraram? A grande verdade é que o Google te acha em qualquer lugar, mas estariam eles me procurando porquê?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-596" style="margin: 10px; border: black 1px solid;" title="Google Love" src="http://joseph.blog.br/wp-content/uploads/2010/02/google.jpg" alt="" />Outro dia fui surpreendido com uma cartinha do Google. Eu nunca imaginei que um dia receberia uma correspondência, pelo correio, com aquele logo colorido em azul, vermelho, amarelo e verde. Fiquei muito curioso para saber o motivo pela qual uma das empresas do Google Inc. estivesse à minha procura. E como me encontraram?</p>
<p>A grande verdade é que o Google te acha em qualquer lugar, mas estariam eles me procurando porquê?</p>
<p>Tem algum tempo que uso na página do Blog o AdSense do Google. É uma exibição de um link patrocinado, ou um anúncio aleatório distribuído por eles. Para cada exibição ou clique, alguns centavinhos de dólares são creditados na minha conta. Até hoje não atingi o valor mínimo para receber o primeiro depósito, mas não desisti do serviço. A propósito, tudo o que estou contando aqui é proibido por contrato. Se eles descobrirem serei punido e excluído, então isso é um segredo.</p>
<p>Mas, a tal correspondência trazia um convite para que eu anunciasse o meu Blog no AdWord e de lambuja me deram um crédito de cem reais. Ou seja, em média o meu anúncio poderia ser clicado 300 vezes. Beleza. Para quem nunca recebeu nada de graça até achei a proposta bem interessante. Publicidade que atrai leitores, que atrai visibilidade, que atrai mais leitores e, por fim, <em>money</em>.</p>
<p>Ao abrir a correspondência encontrei impresso o meu nome, meu endereço, meu CPF, a minha identidade, a minha altura, o meu peso, a cor dos meus olhos e o meu signo astral. Tô falando sério, eles sabem quase tudo sobre mim.</p>
<p>Brincadeiras à parte o Google realmente sabe demais. Quanto a oferta? Por ora recusei. Quem daria um clique num anúncio de um Blog de um desconhecido? Só se eu estampasse uma foto minha, e pelado. Ainda assim eu acho que só iria espantar visitante.</p>
<p>Na época da faculdade de jornalismo lembro que tivemos uma matéria específica que falava sobre o Google. Já imaginou a importância e a utilidade da ferramenta para um jornalista? Claro que boa parte das informações estão contidas no próprio site do Google, mas o grande segredo  está em saber perguntar o quê se está procurando. Aliás, hoje em dia você até pode fazer uma pergunta na sua busca, com um ponto de interrogação no final, que alguma resposta ele vai retornar. Antigamente não se podia usar pontuação alguma, mas hoje ele é mais esperto do que você.</p>
<p>Existem ainda vários macetes como as aspas, os dois pontos, os prefixos, enfim. A pesquisa vai muito além da barra de busca, da busca de imagens e  vídeos, dos serviços do Gmail ou do Orkut, do Google Maps, do Earth ou do Chrome. Também não pense que a busca avançada é o último refúgio dos sabidinhos. Engano. Existem vários outros truques que nem mesmo eu sei usar.</p>
<p>Pois bem, o crédito de tudo isso só poderia ser de americanos universitários. Os caras são chamados de Larry e Sergey. Com esses nomes os sujeitos só poderiam ser <em>nerds</em> e nem namoradas devem ter.</p>
<p>Descobri que o sistema de arquivamento desses bilhões de dados, feito pelo maior mecanismo de busca do mundo, é fantástico. Existem complexos que mais se parecem com pequenos vilarejos, divididos por suas avenidas e prédios, com aparente preocupação  ecologia. Alguns desses complexos produzem a sua própria energia e em outros o resfriamento dessas máquinas são feitos por plantas. Já pensou em cultivar algumas bromélias na volta do seu desktop?</p>
<p>Você já experimentou jogar o seu nome no Google? Prepare-se, no mínimo aparecerão homônimos, imagens, vídeos, listas de concursos prestados, processos, perfis, contas a pagar e nenhuma a receber. Vê lá hein, o Google sabe de tudo.</p>
<p>Joguei o meu nome, entre aspas, e a busca retornou 99.100 resultados. Sem aspas o número de &#8216;ozinhos&#8217; do Goooooooogle ultrapassa os 520 mil. Alguns links são meus ou dizem algo sobre mim, outros não faço a menor ideia do que tratam, e a maioria leva ao meu xará que viveu no século XVIII. Pois não é que o cara vem disputar posição de pesquisa mesmo mortinho da silva?</p>
<p>Só falta inventarem o Google Love. Imagino que essa cartinha todos vão querer receber.</p>
<p>Ah&#8230; e não seja estúpido, antes de tudo, pergunte ao Google.</p>
<p>Zé.</p>
<p>That&#8217;s all Folk&#8217;s!</p>
<p>Imagem: <em>da rede</em></p>
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