A ESCOLHA

Acho que um dos pensamentos mais perturbadores do ser humano ocorre quando ele precisa fazer uma escolha. Admito que algumas são fáceis e outras inimagináveis. Muitas vezes somos assaltados por necessidades de escolhas antes não pensadas. Para toda opção haverá uma exclusão. Você escolhe isso ou aquilo em detrimento do outro. Melhor é quando podemos ficar com duas ou mais alternativas, mas nem sempre é assim.

Escolhas precisam ser bem feitas. Más escolhas podem causar prejuízos. Se escolhermos por exclusão algo terá tido o seu fim para a gente, mas pode ser útil para outra pessoa. Nada na vida se perde. Para tudo haverá algum destino e o que não é bom para você pode ocupar um lugar perfeito em outra pessoa.

No final das contas vamos perceber que o mais importante é aceitarmos as nossas escolhas e tudo o que elas trazem consigo.

Chegou um tempo em que eu decidi que só faria uma escolha depois de ter amadurecido muito bem as minhas ideias. Sou adepto da escolha por exclusão. Se o objeto de desejo for menos valoroso do que o outro, no sentido figurado, é automaticamente eliminado. O valor que atribuímos ao objeto também é relativo e de foro íntimo.

No entanto, quando temos que escolher entre duas coisas muito boas é aí que a porca torce o rabo. Sabe por que? Porque quando nos apropriamos do nosso objeto, com o tempo de uso, vemos as suas imperfeições e imaginamos que talvez o outro não tivesse tais defeitos.

A minha teoria é facilmente compreendida. Aplique-a no campo material para ver como tudo isso é verdade. Mas, não se engane, no campo afetivo o negócio também funciona desse jeitinho. E, a todo o instante, estamos escolhendo permanecer ou não nas nossas relações.

Observe o Jogo da Velha na imagem acima. Embora eu tenho escolhido a imagem do jogo de um ganhador, quero falar do jogo que sempre empata. Quando você descobre a melhor estratégia você sempre ganha. Mas se o seu oponente também souber a estratégia do jogo, ele sempre empata. Não haverá ganhadores nem perdedores, apenas jogadores.

Acho que esse jogo representa muito bem o que quero dizer. Estamos constantemente jogando, escolhendo, eliminando e excluindo. Tudo em beneficio próprio, para ganhar o jogo. O jogo da vida também é assim. Quando o outro julga saber usar a “melhor estratégia”, caímos num terreno onde ninguém ganha. No máximo se empata, mas o gostinho da “melhor escolha” – daquele que “vence” – nenhum dos dois experimenta.

Nesses dias de reclusão passei horas a fio em frente ao PC. Vivi dias de grande produção literária. Escrevi duas peças de teatro, guardei o argumento para uma terceira, e desenhei as páginas do cronograma de um livro. Trata-se de uma biografia, mas isso é assunto para mais adiante.

Na minha primeira peça falei sobre as relações humanas – desse jogo de ganhar e perder. Penso que o blog serviu como o grande ensaio para as coisas que viriam depois. Como disse, nada na vida se perde e cada coisa encontra um destino, um caminho. De alguma maneira o que pensamos acaba virando “matéria” e se ajusta como base para aquilo que vamos escolher colocar sobre ela.

Acho que os anos de teatro me fizeram entender o deslocamento do texto no palco e isso me foi de grande valia. A faculdade de comunicação me ensinou a escrever. E, tudo aquilo que ensaiei sobre o homem, mais as coisas que vivi, puderam compor a história da minha peça. Preciso confessar que escrever para teatro não é tarefa fácil e o meu texto – o meu estilo – é bastante intuitivo. O único espaço que o autor tem para contar o drama dos seus personagens é o palco. Ele limita toda a ação àquele espaço.

Foi através de uma seção de análise que pude dar vida aos conflitos de Suzy, de Tom, de Otávio e a principal escolha que é feita por Teresa. Cada personagem carrega dentro de si um pouquinho do universo que eu vivi e da minha personalidade. O argumento eu já tinha há quatro anos, mas a inspiração nasceu só agora. No link TEATRO está a sinopse, o argumento e o perfil. Não vou publicar a peça na íntegra aqui nesse espaço porque eu desejo que um dia ela seja encena. Tomara! Já imaginou a alegria de um autor iniciante ao ver os seus personagens vivos?

Convidei alguns amigos para uma primeira leitura e recebi algumas impressões. Chamei um dramaturgo, um ator experiente, um professor de português e um psicanalista para as críticas, sugestões e correções. Beleza! Tirei algumas conclusões: ou a peça é boa mesmo, ou eles são meus grandes amigos, ou querem me comer.

Já que falei de escolhas vou terminar dizendo que se em algum momento você ficar na dúvida entre uma escolha ou outra, ouça atentamente o que a vida está dizendo para você. A resposta está sempre no silêncio do nosso coração. Acho que o melhor conselheiro é o nosso travesseiro. Escute os mais vividos também, eles têm segredos ocultos que a vida os ensinou e que podem muito bem nos servir; não é à toa que o jogo citado chama “Jogo da Velha”. E lembre-se que uma escolha geralmente exclui outra.

Essa crônica levou o título da minha primeira peça – A Escolha. Se você tem interesse na leitura, por favor, me peça uma cópia ou solicite na Biblioteca Nacional.

Zé.

That’s all folks!

Imagem: Getty Images

6 Comments

  • Jaque wrote:

    Olá meu querido, hoje o dia ficou mais iluminado. Finalmente teremos o prazer de ler seus textos neste blog que já se tornou referencia pra mim. Querido, acredite, seu texto caiu como uma luva. Que pena que as escolhas sempre trazem consequências, as vezes boas outras nem tanto! Mas também se for pra passar a vida sem errar ou acertar, qual a finalidade de nossa existência? Afinal como vamos evoluir? Quanto as críticas recebidas pelo seu texto de teatro, com certeza são pessoas sérias e que falaram a verdade. Seu texto deve sim ser maravilhoso, a julgar pelo seu blog. E se você me der a honra, estou formalizando em público um pedido “me manda uma cópia, será lido com muito carinho”. Bem vindo de volta a este espaço e escreva muito. Muita paz e inspiração pra você. Bjos … “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!!!”

  • Vivi wrote:

    Um texto para mim? O bom é dizer que a ‘porca ta torcendo o rabo’, ou seja, ambas as escolhas serão boas… Tens razão qdo fala que ao escolhermos uma, eliminamos a outra opção, e quem sabe por isso, tenho adiado tto essa escolha. Só uma coisa é certa, nunca fui boa estrategista para jogo da velha!! Lindo texto querido. Senti-me homenageada. Amo-te!

  • Como assim, vc voltou ao blog, mais forte do que nunca e nem me diz nada??? Ah que maravilha poder me deliciar em suas leituras; que saudades de viajar com você por nossos grandes papos sobre “as danadas relações humanas”… tenho grande valia na construção destes textos também… heheh!!! E você… uma enorme importância na construção dos meus passos… desde que realmente pude te conhecer!!!! Saudades… bjs, Lis.

  • Andréia Seixas wrote:

    Que lindo! Sábias palavras! Eu quero uma cópia! Adoro você! Que a sua estrela brilhe sempre.

  • Junior wrote:

    Joe,
    A vida é a arte das escolhas, dos sonhos, dos desafios, dos amores. Assim os caminhos da vida são feitos de decisões e escolhas. A nossa felicidade e destino estão nas nossas escolhas e consequentemente nas nossas atitudes. A energia com a qual implementamos as nossas opções contribui de maneira decisiva para o sucesso delas. Nossas escolhas podem nos unir ou nos separar de algumas pessoas, mas não existe força que nos faça esquecer as que, por algum motivo, um dia nos fizeram felizes. Ahhh eu já encontrei a resposta no silêncio do meu coração.

  • Eeeee quero ler, heim!