Do fundo do meu coração eu queria que as coisas da vida fossem diferentes. Ando meio calado nos últimos dias. No silêncio consigo perceber situações que quando agitado eu não consigo. Quase não dormi na noite passada pensando na situação de um amigo, em como resolver um problema que não era meu.
Quando penso na fragilidade da vida, tantas coisas ficam sem sentido para mim. Quando observo que as pessoas simplesmente passam pelos meus dias me dá uma angústia no peito. Um dia aqueles que você ama se vão de você, noutro eles se vão da vida. Tenho olhado na carinha das pessoas e pensado em como será o dia em que elas se forem.
Por uma semana eu esperei que um amigo enviasse alguma notícia, um único e-mail, um telefonema, um postal, uma garrafinha jogada no mar, mas o tal negócio não vinha. Com isso, um fantasma se instalou em mim.
Preciso confessar uma coisa: tem situações que definitivamente eu não sei como lidar.
Acho que uma das maiores inquietações do homem é a dúvida que ele tem com relação ao outro – a atitude e a resposta do outro. Nunca conheceremos por completo o íntimo de alguém, daí a confiança, a entrega, o acreditar. E, do outro lado, a incerteza, o receio, a retaguarda. Criamos escudos de defesa para a própria sobrevivência e com isso os usamos em todos os campos da nossa vida. Talvez nem precisássemos. Para cada calo guardamos uma pedrinha na mão.
Não vou contar o episódio que me levou à dúvida senão a lição que tirei dele. Passei dias aguardando um retorno que não vinha. Tava esperando o sujeito acusar o recebimento de um pequeno pacote – vou tratar esse pacote como ‘o tempo doado num embrulho de presente’. Ok. Se dedicarmos o nosso tempo para alguém, voluntariamente, é uma questão nossa. O que o outro vai fazer com o tempo que embrulhamos para ele não é nosso problema. O outro não precisa reconhecer a nossa prática. Melhor… ele provavelmente reconhece, autentica, mas não tem o dever do feedback, a não ser que faça parte do acordo.
Hoje, levantei cedinho e decidi eliminar o meu fantasma com o envio de um e-mail que dizia o seguinte – tudo bem querido? Então… você recebeu o meu tempo embrulhado num presente? Instantaneamente recebo o e-mail de resposta dizendo – mas eu escrevi no mesmo dia agradecendo por tudo o que você fez por mim. Estou repassando o mesmo e-mail novamente, para a sua conferência. Realmente eu não tinha visto o tal e-mail que se perdeu.
Ufa… como eu fiquei feliz comigo mesmo. Primeiramente por ter eliminado um fantasma, os do passado eu desisti. Já o meu amigo manteve a posição privilegiada que dei a ele. Se eu tivesse me calado para sempre, a dúvida teria um lugar eterno em mim. Mas com o meu gesto constatei que o tal retorno, a tal resposta, a tal garrafinha havia se perdido no mar. Assim, se perdia com ela a falta da certeza do que o outro estava pensando sobre o tempo que doei embrulhado num presente.
Do fundo do meu coração eu queria que essa vida fosse diferente. Queria que todas as pessoas falassem entre si. De que adianta ampliarmos as nossas redes sociais se cada vez nos falamos menos? Eu queria que houvesse o entendimento – o diálogo. Que não houvesse a incerteza, o equívoco e a ignorância. Ignorar é não conhecer – é não entender o outro. E nesse quesito eu sou campeão, complico as coisas mais simples.
Para que tudo faça sentido na sua vida pergunte-se primeiro: pelo o quê estou lutando? Se você souber a resposta… bingo, um fantasma a menos, um objetivo a mais. Se você vai vencer ou não, é outro papo.
‘Do Fundo do Coração’ é o nome de um filme belíssimo de Francis Ford Coppola, do ano de 1982. A imagem acima é a capa do DVD. Trata-se da história de um romântico casal que se entrega ao amor e ao jogo em Las Vegas. Assisti ao filme em VHS há alguns anos e ele passou a ser um dos meus filmes do coração. No entanto, fui procurá-lo novamente, mas ninguém o tem e se tem o esconde em segredo. Parece que não foi distribuído no Brasil, mas se foi compraram todos os exemplares para que eu não o encontrasse. Se você tiver alguma notícia me avise, mas por e-mail ou telefone porque garrafinhas ao mar podem se perder para sempre.
Do fundo do coração como eu queria.
Zé.
That’s all folks!
Imagem: Cinept

Pelo o quê estou lutando hoje? Acredito que este seja o meu conflito. É um tanto complicado, às vezes nos vemos como se estivéssemos em um lugar errado, com a pessoa errada, enfim… E tudo por quê? Como você mesmo falou… incertezas, equívocos, ignorância. Às vezes minha dúvida é com relação as pessoas, enfim… Será que um dia elas serão tão transparentes que reconheceremos seus íntimos? Ou será que vai chegar o dia que não conheceremos nem mesmo nosso próprio íntimo. Do fundo do meu coração eu queria que as coisas da vida fossem diferentes!
‘Do fundo do coração’ poderia ser um bom início de conversa.Tipo:”do fundo do coração, o que você gostaria que acontecesse?”.Creio que teríamos um mundo cheio de possibilidades e de coisas boas, caso tais ‘vontades’ se tornassem possíveis.Mas, como vocês disseram, o sentimento geral, pode-se dizer, é de que as coisas não são diferentes (e parecem ser cada vez mais distantes daquilo que esperamos). Muitos tem dito que as saídas podem ser encontradas no dobrar-se ao próprio eu (já que não posso mudar o mundo, mudo a mim mesmo/a – e o ato de comprar tem sido um bom parceiro para esta transformação… Alguém (acho que o Calligaris) já disse:”compre, compre, compre.Os objetos nunca dizem não”.Apesar disso, quero, mesmo que timidamente, acreditar (mas isso também tem estado lá no fundo, talvez do coração) que o falar, o escrever, enfim, o dizer disso talvez nos venha instaurar uma outra possibilidade, um outro “nível de vínculo” com a gente mesmo, com as outras pessoas.E, do fundo do coração, eu também queria isso.
Joseph, do fundo do coração eu sempre quis sonhar sonhos cheios de alegria, embora saiba que a tristeza nunca pode ser contida. Hoje tenho esperado uma resposta da vida, esperando um sim ou nunca mais. A minha maior dúvida está em relacão as pessoas, aos seus sentimentos… como saber o que pensam, se estão sendo verdadeiras. Mas quem não sente a insegurança de um amor de uma amizade, de um gesto não correspondido? Certezas… como as ter? Acredito que só vivendo cada momento… mas será que no final se machucar é realmente inevitável? Só vivendo cada momento. Dúvidas… quantas dúvidas… parece que a estrada continua sem fim.
Esta semana, não sei pelo que lutei… tô com medo, confusa, meio triste, meio distante… sabe o quê realmente quero? te ver… mesmo que eu fique calada… só preciso arrumar um tempo pra te ver!!! TE LOVE… SEMPREEEEEEEEEE!!!!!!!!!
O que seria de cada ser humano se não pudesse dizer: “do fundo do meu coração”. Ali existe um lugar precioso, eterno, sentimentos e verdades! Ao ler seu texto, disse para mim mesmo, sinto o mesmo quando não me retornam um simples e-mail. Já me disseram que exijo muito de mim e dos outros. Penso, que apenas considero muito de mim e dos outros. Quem sabe! Fiquei animado ao saber que você também sente essas coisas. Para me despedir do fundo do meu coração essas palavras seguem meu “refrão”: “eu perco o chão, eu não acho as palavras, eu ando triste, eu ando pela sala, eu perco a hora, eu chego ao fim, eu deixo a porta aberta, eu não moro mais em mim (Adriana Calacanhotto, Metade). Um abraço sincero e desejo de um ótimo dia: iluminado e cheio de paz.
Sabe o que é mais engraçado? É que sempre que paro para ler seus textos, o assunto tem algo a ver com alguma situação que estou passando ou passei recentemente. Essa coisa dos meios eletronicos chega a ser viperina, porque nunca sabemos se o outro recebeu ou se simplesmente está nos ignorando. É o inferno das pessoas de imaginação fértil como eu. E aí seu conselho foi o melhor de todos: pergunte, oras. O que se tem a perder? Melhor a certeza do que a incerteza. Amigos de verdade não vão se incomodar de serem cobrados, mesmo que gentilmente – e se forem, é porque não dão a devida importância ao tempo que dedicamos a eles e por isso não são tão amigos quanto imaginamos. Parabéns mais uma vez, Zé, texto ótimo.
Pois é, o que vai ser de nós no futuro? Oque vai ser de nossas famílias????essa e outras perguntas as vezes fica sem resposta, pois do jeito que esta não teremos tempo para respondelas. Se formos analisarmos quantos amigos nós temos, estou falando de amigos de verdade, amigos que podemos olhar nos olhos, não na tela de um computador. As pessoas estão cada vez mais sozinhas. È por isso que agradeço a Deus por ter te encontrado novamente. Bjos.