HOHOHO!

Imagem: Getty ImagesJá é Natal no meu coração. Sinto-me mais feliz nessa época do ano e essa felicidade é genuína. Parece que condicionaram que o Natal é feito de alegria e sorte e eu acreditei. Sei lá se foi o Cristianismo ou o consumismo que colocou um botãozinho na gente que faz com que nesses dias os nossos sonhos estejam embrulhados para presente. Também queria acreditar na lenda do Papai Noel ou, pelo menos, na possibilidade de trocar algo com alguém. Se não puder ser um presente material pode muito bem ser uma amizade generosa, um carinho compartilhado, ou um pouco mais de respeito.

Tem quase dez anos que escolhi viver sozinho. Deixei para trás, por conta do trabalho, a família, a mulher, o gato e o papagaio e desde então preferi estar comigo mesmo. Dizem que sou uma boa companhia e nisso preciso concordar. Não sei se para minha sorte ou para o meu azar não tive filhos. Daí contrariei o sentido Cristão de que o Natal se passa em família. O sentido de família também é questionável. Quero dizer: dois formam um casal e três pessoas já formam uma família. Claro que seguirei a tradição, a minha mala já está pronta para a viagem natalina. Sou a quarta geração de uma linhagem de alemães-bons-de-ceia-regada-à-cerveja, lá do Sul do país.

Tem alguns dias que enfeitei de luzinhas coloridas a Tuia da minha varanda. Toda noite, entre sete e meia noite, elas piscam alegrando a casa e os vizinhos. Afinal nos enfeitamos para os outros. A vontade que dá é de acender a lareira e procurar nas noites estreladas as renas e o trenó que trazem o bom velhinho. E olha que moro num país subtropical, numa região que faz 40º, e numa casa sem lareira. Aqui o Noel vem só de barba e bermuda.

De todas as atividades desse final de ano acho que a que mais me ocupou foi a produção de duas festas – a que comemora o Natal e a que se despede do ano corrente dando boas-vindas para 2010. Beleza, quando falo em produção pode-se calcular a celebração com um freezer lotado de 500 latas de cerveja. Imaginou? Eu disse quinhentas! Já estão todas lá, cobertas de gelo. No entanto, dar boas-vindas para o ano que entra acompanhado de geladas e bons amigos é um dos presentes que ganhei do Papai Noel. Batalhado e merecido.

Como seria bom se o Natal fosse todo dia. Como disse Marta Medeiros “nada é menos surpreendente do que o Natal”.

Claro que ele é previsível e que nesses dias vivemos a repetição instituída: as árvores estarão enfeitadas, as pessoas comprarão presentes, as mesas fartas servirão peru, chester, pernil e champanhe. E é claro que vários livros de ouro cairão na sua mão e que as pessoas terão seus corações transbordados de compaixão.

Consigo me lembrar que quando criança eu andava pelas ruas do meu bairro para ver as árvores de Natal que enfeitavam os quintais. Não era tão comum como hoje. Uma caixinha com seis metros das pisca-piscas custam atualmente quatro reias. Dá para enfeitar o quarteirão inteiro gastando só um pouquinho. Naquela época era coisa de granfino. E eu adorava. Sonhava que um dia a minha casa também estaria toda iluminada.

Nossa árvore de Natal era um pinheiro natural colocado numa lata com pedras, água e uma aspirina para que ficasse verdinho por mais tempo. Tinha barba de pau, presépio, o Menino Jesus, José e Maria, os Três Reis Magos e era completo. O algodão imitava a neve e as bolinhas pareciam ser cobertas de açúcar. Ah… e o Papai Noel vinha de verdade!

Mas eu cresci e hoje prefiro não andar no contrafluxo dessa felicidade empacotada para presente. De alguma maneira todos estamos dentro dela e comigo não acontece diferente. Não sou ateu, não sou comunista, tenho cartão de crédito e vivo no ocidente. Ok… meu destino nos últimos dias só poderia ser o shopping center. Mais da metade da população estava por lá; mais da metade da minha mala de viagem é ocupada pelos presentes. Os daqui eu já distribuí, mas acho que os que guardo para os alemãezinhos da minha família são os mais especiais. São eles que vão dar continuidade àquela linhagem – a da minha família. É para eles que me esforço em mostrar que o Natal é uma época de alegria genuína – de felicidade; que nasceu com a gente e que deve permanecer.

Aos meus amigos desejo um FELIZ NATAL!

Zé.

That’s all folks!

Imagem: Getty Images

6 Comments

  • Junior wrote:

    Joe,
    Natal é tempo de deixar nascer a criança pura, inocente, e cheia de esperança que mora dentro dos nossos corações. Também é tempo de refazer planos, de renovar nossas esperanças. Nesta época do ano o mundo fica mais colorido, mais cheio de vida, o Amor pede permissão para nos entregar a felicidade… acredito que seja a presença dos anjos… os mesmos que celebram o amor entre duas pessoas. Que a magia do Natal esteja presente nos nossos corações e que este Natal não seja apenas mais uma comemoração, mais sim o início de uma vida nova. Feliz Natal para você e toda sua família… seja feliz rapaz.

  • Sabe que eu sou do tipo de pessoa que na manhã do dia 24 acorda mais animada do que nos outros 364 dias, colocando músicas natalinas pra tocar enquanto Noel me dá a certeza de que pelo menos 1 vez por ano eu serei feliz…

  • Sidi Budke wrote:

    Rapaz. Que bonito. Teu conhecimento e tuas experiências de vida não te distanciaram das “raízes”. Sou encantado por pessoas assim, como você. É como um pássaro que soube voar e procurar novos lugares sem esquecer do seu “ninho”. Além de tudo, o Arquiteto do Universo surpreendeu a humanidade quando por meio de uma criança mostrou sua essência e existência. Que tenhamos um Natal iluminado. Ah, também verei meus alemãezinhos. E muita cerveja, rss!

  • Que bom sentir essa vibe positiva. Saiba que te desejo tudo de melhor,de verdade! Boas festas!

  • Vivi wrote:

    É mesmo uma alegria te ter aqui no nosso Natal, não seria o mesmo se não estivesse presente em algum ano, afinal…Vc é o nosso Papai Noel!! Hohoho… Que alegria. Obrigada por tudo. Família Lindenmeyer.

  • Amigo!! Há quanto não passo por aqui!! Tá linda a cara nova do seu blog. Mudei o meu tambem, 2010 é tempo de arrumação na casa. Feliz 2010 pra você, com muitas postagens, palavras e sentimentos pra nós dois. Beijinho!