É Carnaval no Rio e em várias outras cidades desse país. Aliás o Carnaval é comemorado mundo afora e a festa teve a sua origem há quinquilhões de anos, lá na idade média. Nós, muito criativos e influenciáveis que somos, apenas adaptamos os festejos e damos o nosso toque particular à brincadeira. Cada povo tratou de se representar conforme a sua cultura, os seus valores e os seus costumes.
E realmente esses dias convidam à diversão, à brincadeira. Tem marchinhas pela cidade, tem os blocos de rua, tem cerveja gelada a cada cem metros de praia e o calor que faz convida à exposição do corpo e da alegria. Mas, se você tá pensando que o Carnaval é apenas samba sem compromisso, ou que é apenas uma festa do povo, você está redondamente enganado.
A festa carnavalesca mobiliza milhares de pessoas. As escolas trabalham o ano inteiro e os ensaios se dão meses antes da competição. Infelizmente até nessa brincadeira existe disputa. Bulufas, trofeu abacaxi para eles. Estamos sempre competindo por uma posição.
O Carnaval também é objeto de vários estudos sobre a Cultura Popular, assim em maiúsculas. Ele é tema de debates dos mais ilustres cérebros, é dissertado em mestrados, já foi tese de doutorado. Mas o que mais me chama à atenção é que o Carnaval já não é mais a festa do povo. Ela é feita pelo e para o povo, mas a verdade é que por trás de tudo existe um poderio tão imenso que tem gente que nem faz ideia: os mega conglomerados de comunicação, as grandes cervejarias e, claro, o jogo do bicho.
Só para constar é bom lembrar que em alguns países o Carnaval é comemorado com muita pompa, pela fina nata da burguesia. E, em algumas regiões o Carnaval tem um sentido místico e religioso. Aqui no Rio a brincadeira é levada muito a sério, e com razão. Ela faz a alegria da nação e o deleite da Rede Globo e de seus anunciantes.
Beleza, chega de quesitos técnicos. Abram alas que a minha escola quer desfilar. Tô aqui para dividir o quê experimento nesses dias.
Você conhece uma música dos Tribalistas chamada Carnavalia? Pois é, ela traduz muito bem a sensação que tenho quando falo do Carnaval. Quando eu a ouço consigo lembrar de tudo aquilo que já vi no Sambódromo. Carlinhos Brow, Marisa Monte e Arnaldo Antunes são meus ídolos. Tomara que um dia eles se encontrem para um novo CD e que seja tão bom quanto aquele. Escute que vale a pena, a letra de Carnavalia me fascina.
De tão felizardo que sou, no próximo domingo vou assistir a abertura do desfile carioca. Vou com toda a pompa que os convidados aos camarotes merecem. Para se chegar lá, caso você tenha vontade, posso dar algumas dicas: ou você precisa ser um afortunado amigo do presidente da AmBev; ou você pode se tornar amigo de um afortunado amigo que é amigo dos organizadores do evento; ou você precisa ser uma celebridade; ou, por fim, ser amigo de alguém muito famoso.
Nos últimos anos pude levar, a tiracolo, alguns amigos que não eram amigos do meu amigo. É essa a posição que ocupo na lista acima. É bem verdade que as minhas redes de amizade sempre foram complexas. Mas, de alguma forma, eu sempre tentei relacioná-los entre si dando a oportunidade para que também fossem convidados para o disputadíssimo Camarote da Brahma, ou para os grandes eventos e estreias das quais participo.
Nesse ano, ao negociar a tal lista de convidados que poderia ser tão imensa e complexa quanto a minha rede de amizades, dado o prestígio e a reputadíssima posição que ocupa o meu estimável amigo, ouvi o seguinte: você pode me dizer porquê eu levaria essa ou aquela pessoa? Diante disso só me fiz calar e ali tive a certeza de que as relações têm cada vez menos sorte. As pessoas se protegem porque não recebem o mínimo que outro tem condições de dar. Muitas vezes o outro não quer se esforçar para oferecer algo melhor. Cada um tem os seus motivos pessoais; cada um ocupa uma posição que julga ser mais confortável, mas depois não pode reclamar.
O título da minha crônica é inspirado na música da Ana Carolina. Por falar nela preciso contar que assisti, no mês passado, ao show ’9′. Foi a primeira vez que a vi cantar. Ela realmente encanta e as palavras que diz parecem ter sido compostas para mim. Quem disse que bebeu e comeu a Madonna foi ela. Acho que não é verdade, mas eu também queria e como queria. Pelo menos ficaria famoso.
No próximo domingo a Madonna também estará na Sapucaí. Ela ficará bem pertinho para sentir tudo aquilo que eu sinto. Se é que a sensibilidade dela é ocupada pelo mesmo imaginário que o meu. Me parece que o camarote do governador fica bem na frente do camarote da Brahma. [pausa] Acabo de ler o Ancelmo Goes que diz que ela tá inclinada em dividir seu tempo entre os dois camarotes. Tomara!
Bom início de Carnaval para você, assim, com letra maiúscula. Na próxima semana eu volto para contar a experiência que tive.
Zé.
That’s all Folk’s!
Imagem: Getty Images

Hum é carnaval… tempo de festas, alegrias, desfiles e muito samba. Sempre gostei muito dessa época, mas esse ano está sendo diferente. Como diria a Ana Carolina ” alguma coisa dentro de mim se transforma” e posso sentir o meu coração bater como o som de uma bateria de escola de samba… estou muito feliz.
Joe, vamos tirar uma foto com a Madonna ?
E vamos ao carnaval… que bom guri.
Mas esse seu Carnaval é mto fino. Parece o nosso. Aqui não temos desfiles glamurosos, mto menos famosos, e são poucos clubes que oferecem um carnaval com marchinha, ou samba enredo, acabamos saindo em pleno carnaval pra dançar eletronica, esquecendo seu verdadeiro sentido.O importante nesta época e sermos felizes, sei que não encontrarei a Madonna, mas quem sabe encontre algum Jesus! Haha. Um ótimo Carnaval a todos!
Querido Zé,
Concordo com cada palavra do teu texto. As relações nunca foram fáceis, sabia? Algumas amizades são mais e outras menos sintonizadas. Outras vibram em frequências mais parecidas. Mas, acredito que seja hora de brincar, de cantar, de viver o momento que só o carnaval oferece. Também estarei na Sapucaí e muita próxima da tua diva.
Beijos. Teresa.
Quero que reserve um lugar para mim!
Mas ESTE lugar deve ser no coração.