Lá se vai o Carnaval e imagino que para muita gente acaba também uma época de festas, de brincadeiras, de bebedeiras, de amores e de amigos. Mas, para os baianos e alguns retardados a farra acaba somente no próximo domingo. Não dá para esquecer que apesar das ruas estarem lotadas de foliões há uma grande maioria que não vive o Carnaval, que simplesmente não gosta.
Eu nem sabia o que era o Carnaval quando vivia distante dele, ou preferiram que eu não soubesse para também não gostar. Como nasci numa colônia alemã, de costume evangélico protestante, eu achava que a festa era apenas da luxúria, do erotismo e da perdição. Boa parte dessa festa mexe com o nosso imaginário e realmente deixa a libido à flor da pele, mas a resposta para isso fica a critério de cada um.
Depois de algum tempo percebi que a agravante maior daquela turma era outra: alemão não tinha samba no pé, tão pouco molejo na cintura. Quem diria – eu tinha! Mas enfim, tudo bobagem na minha análise. Aquela alemoada sempre se deu bem quando precisou sair no sapatinho.
Lá se vai o Carnaval e a sensação que tenho é de que mal aproveitei. Ok… fui ao Camarote, bebi todas as geladas no gargalo, degustei o delicioso cardápio assinado por Viko Tangoda, cantei com a Preta Gil, com o Zeca, com o Diogo Nogueira e, de quebra, vi a Madonna. Aliás ela teve a audácia de ficar um pouco mais de um minuto e dizer apenas um ‘muito obrigado’ em português. Nunca vi um simples ‘obrigado’ custar a bagatela de 1 milhão de dólares.
Lamento a mim mesmo por me dar conta das coisas que não fiz só depois que tudo passou. Acho que sempre fui assim. Tudo passa e a sensação que tenho é de que eu fico para trás, que o bonde vai sem mim. Nem sei se devo ficar triste por isso, se devo me conformar, ou se agradeço por não pegar a maioria dos bondes que acaba caindo penhasco abaixo.
Hoje é quarta de cinzas e ainda dá tempo para algumas geladas de Carnaval. Só não vale o desespero para fazer tudo aquilo que me propus inicialmente, apenas para constar de uma lista.
Aos amigos que estiveram comigo – ou com os quais estive – só posso dizer obrigado e que no próximo ano será ainda melhor.
E lá se foi o Carnaval. Temos um ano inteiro pela frente para pensar novamente no próximo. Eu só estarei dentro daquilo que for muito bom para mim, nem que no final eu julgue que perdi o bonde da história ou o ”bonde da Priscilla”, que foi parar nos confins do mundo. E, se for assim, sutilmente, vou me incluir fora disso.
Zé.
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That’s all Folk’s!
Imagem: Cine.pt

Mas afinal para onde ia o bonde da Priscilla? Acho que os bondes da tua vida tem ido para lugares tão interessantes que você nem imagina. Beijos. Teresa.
O importante Joseph é não esquecer quem se é. Lembrar que, na colônia alemã, vc não teria estado no Camarote, não teria dançado nos shows, nem ouvido o Muito Obrigado. Também não saberia o que é a comida do tal de Tangoda, nem banho de piscina, nem prato de plástico. Porque o carnaval e a felicidade não vêm dessas coisas, não vem de camarote, de Madonna, de um milhão de dólares, de piscina. O carnaval vem de dentro, vem da colônia alemã, vem de onde se é e do que se é. Afinal todas as coisas que hoje temos não necessariamente estarão conosco amanhã, como também, de repente, não estavam conosco ontem. Mas vc, se estiver vivo, estará com você amanhã. Por isso, é apenas de você que deve sair a sua felicidade e sua tristeza. E de nada externo, nem de ninguém que não você mesmo.
É preciso sempre ser feliz com o que se tem e saber quem se é.
Foi ótimo passar esse carnaval com você! Um abraço forte!
Pois é… foi-se o Bonde da Priscila e outros bondes também, mas a vida continua e parece mesmo que só agora irá começar o nosso ano de 2010. Espero então que vc não deixe passar mais nada com a sensação que deixaste de realizar algo. E que possamos cumprir o nosso trato. Em tempo: fevereiro acaba na semana que vem e temos que dar um jeito de acharmos um dia ainda neste mês. Saudades e bola pra frente… que o tempo não pára!!!
P.S: Trouxe as prometidas castanhas lá de Fortaleza… estão aqui e são suas!!!!
Mega beijo, Lis.
Sabe,há alguns anos (na conta dos últimos 5) que faço coisas diferentes no carnaval. Elegi essa época como o meu “e agora, o que ainda não fiz?”. Ano retrasado fiquei no Rio, o passado fui para um delicioso retiro espiritual e nesse ano resolvi me internar em Ritápolis, cidade no interior de Minas, aonde se lê a placa: aqui nasceu Tiradentes. Olha que bacana!rs
Já penso no seguinte e na minha fantasia de bailarina. Isso! Faz muito tempo, pelo q me lembro longos anos, que não me fantasio de nada. Tá aí uma coisa que nunca fiz, me fantasiar de bailarina.
Acho o carnaval importante em todos os sentidos, seja para os que curtem ou os que não curtem e definitivamente o meu ano (o ano mais sentimental, não o braçal, pois esse parece que não rompeu o ano passado ainda) começa agora, na próxima segunda.
P.S.: Não estou recebendo sua Newsletter! Why?? snif…
Beijos e Feliz Ano Novo!