Os dias passam acelerados e essa velocidade acaba com o tempo da gente. Cada vez que me olho no espelho a face parece mais cansada, as pálpebras estão mais caídas e percebo uma ruguinha ou outra que antes eu não via. E assim esse tempo se vai, escoando por entre os dedos, passando, passando e passando.
Insisto em dizer que a minha maior busca é para que as coisas que vivo façam algum sentido, que não se percam nessa linha de tempo relativo e ilusório que só tem significado pra gente. O tempo pode ser um lampejo na imensidão do todo, ou uma eternidade para quem experimenta a solidão.
A vida na metrópole passa muito mais depressa do que a que vivi na infância. Lá se tinha tempo para a família, tempo para os amigos, tempo para si. E ainda sobrava tempo.
Aqui na cidade grande tudo é diferente, faço quase tudo pela metade. Quando dou sorte encontro alguém para concluir aquilo que comecei. Sou autor de vários projetos inacabados. Não consigo ler o jornal por inteiro. Largo meus livros pela metade, quando chego no meio já me esqueci o que tinha acontecido no início da história. Quando me dou conta vejo que uma nova revista já se empilhou na mesinha de centro. O último dvd que comprei devo assistir no próximo final de semana. Não deu tempo para encontrar meus amigos para um café. Também não tive tempo para amar ninguém.
Opa… se tem uma coisa que não pode acontecer é não se ter tempo para amar alguém.
Outro dia passei resmungando e dizendo que não conseguia manter a casa limpa e saí com a seguinte máxima: passo os dias com a lista de prioridades colada na testa e o tempo que me resta utilizo para fazer nada, o que também ocupa muito tempo.
Nem sei se é melhor deixar que o tempo passe apressado, simplesmente me deixando levar por ele, ou se me modifico para não precisar reclamar. Depois penso: o que não fiz agora deve voltar à pauta um pouco mais adiante. E assim vou levando a vida do jeito que dá.
Das minhas maiores queixas sobre a falta de tempo é do tempo que deixa saudade, daquele que não volta mais. Sinto uma saudade de pessoas que passaram pela minha vida e que me fizeram bem. A propósito sinto saudades até de gente que nem conheci. Mas, a saudade mais dolorosa é a que sinto pela minha amada mãe. E ela tá bem longe daqui.
- Filho, quando você vem me visitar? Será que você poderia voltar a morar com a gente? Daqui há dez anos estarei muito velhinha e não terei a mesma disposição para te acompanhar, quero viver ao teu lado enquanto estiver lúcida e jovem - sentenciou a minha mãe. Nesse dia eu chorei.
Eu queria que o tempo não passasse tão rápido e que a velhice não chegasse na gente. Queria que o homem tivesse menos dúvidas da sua existência e do fazer com o seu tempo. Eu queria que as pessoas vivessem em paz, mesmo estando rodeadas pelo agito de outras pessoas. Eu queria que as pessoas não sentissem a dor da saudade. Queria que ninguém sentisse solidão. Queria ainda que todos tivessem tempo de sobra para amar.
Você pôde assistir Alice? A personagem mergulha num sonho cheio de medos e de fantasmas. Alice não emociona, sabe por quê? Embora o tempo no filme fosse ilusório, entre o sonho e a realidade de Alice, ela não tinha um grande amor.
Zé.
That’s all Folk’s!
Imagem: do filme Alice no País das Maravilhas.

Viu porque digo que esse menino é muito lindo?
Zé, uma mãezinha como a sua é eterna. Corre usar seu tempo que esbanja AMOR, por vez que a sua fonte é doce, o caule é forte e a alma leve, por isso vc, o fruto, é assim, MUITO LINDO!!!!
Deus, continua abençoando, mesmo que o tempo material seja pouco.
Sabe meu Zé, talvez conhecidência ou quem sabe destino, pode ser acaso ou pura sintonia. Mas a semana que se passou deixou em mim um gosto de coisas inacabadas, muito comecei, mas não tive tempo de finalizar com deleite nenhuma.
O tempo é muito diferente daquele que, suavemente, embalava minha infância; o tempo no balanço de pneu no alto da mangueira, na amarelinha riscada no chão de terra… tempo de espera pelo tempo de crescer.
Agora o tempo me entrelaça e eu, submissa as coisas por fazer, me pergunto porque estou longe de você e sem tempo, nem dinheiro, para ir toda semana ao Rio só para o tempo do abraço… do prometido caminhar descalço, do sorriso que embalará algo quase tão suave quanto a balança de pneu… nossa eterna amizade.
Beijos de muita saudades.
Quando sinto saudades de alguém não espero para encontrar, não meço esforços para me deslocar. Saudade é um sentimento propulsor para a alegria, para que se saia da inércia, para a busca da felicidade. Encontre quem você ama, teus amigos mais queridos, tua família, tua mãe. E seja feliz sempre.
Meu sonhador-poeta… agarro-te pelas mãos para que me leve ao lugar onde se escondem essas palavras fáceis de arrumar que você encontra, ou me mostre onde vive a bruxa que prepara a poção que o deixa tão íntimo delas (das palavras). Arrumá-las assim TEM QUE TER UMA EXPLICAÇÃO… TALENTO? Não somente, tem mágia e muita coragem de ir à luta… te adoro louro!!
Que texto maravilhoso!
Como falar dessa mãezinha e não chorar?
Mas fiquei me perguntando agora. Você longe, lamenta. E eu perto, muitas vezes sou ausente. É de parar, e pensar.
Não assiti Alice, mas pelo que falou, podemos todos nos considerar uma. Cadê nossos grandes amores, se não nossa própria família?
Beijos.
Te amo Mano!
Bateu fundo… bem fundo….