ELLIS

Desde que comecei a publicar meus pensamentos, conheci pessoas, tive pensamentos que outros ainda não tiveram, alguns originais e outros uma releitura daquilo que eu já sabia. Estou longe de querer pensar só com a razão, ou ser dono de qualquer verdade, pelo contrário, sou o feliz proprietário de uma sensibilidade ímpar e de um coração gigante que também é meu guia. Minha proposta aqui é apenas pensar a vida.

O mais legal disso tudo é que tô fazendo novos amigos, muito mais reais do que virtuais.

Sempre tive um pensamento pré-concebido com relação aos “ratos” de academia. Julgava com certo preconceito e achava que cultuar o corpo era contrário ao culto do pensamento.

Pintava o estereótipo do nerd como o cara de óculos, muito pálido e feio. Ou o sujeito era muito estudioso, passando horas trancafiadas no quarto; ou o sujeito era esportista, menos intelectual, porém com um belo físico de músculos desenvolvidos. Eu odiava as aulas de Educação Física. Para mim não tinha o meio termo, mas eu estava completamente equivocado.

O grego faz culto ao corpo desde a antiguidade e foi lá que nasceu o esporte olímpico. Para eles a olimpíada era uma celebração aos deuses. Você conhece o David de Miguel Ângelo? Um rei que supostamente viveu mil anos antes de Cristo. Observe o que é o abdome daquela criatura. Tenho a maior inveja! Dá uma checada também nos aprovados à faculdade de direito da UFRJ, só gente bonita e sarada.

Com isso, acabei cedendo aos encantos da malhação. Não, preciso chamar de treino para parecer moderninho. Treino cinco dias por semana, faço três dias alternados de exercícios aeróbicos e minha querida amiga tá insistindo para que eu faça algumas aulas de Yoga. Tô quase aceitando. Para completar à disposição tomo muito Whey, BCAA, e como muito peito de frango grelhado com arroz integral. Eita, faço uma dieta com superdose de proteína que me deixa forte o bastante, mas com um tremendo mal hálito. A relação aqui é de custo benefício. Vale a pena, é só beijar menos.

Acho que a cena mais absurda que presenciei numa academia, que eu treinava há algum tempo, foi de uma loura. Não pela loura, ela realmente tinha um corpo escultural, mas pela atitude. Imagine o Código Civil Brasileiro aberto sobre uma máquina de desenvolvimento para glúteo e uma loura deitada sobre ele, de bruços. Não entendi se o esforço era muscular ou intelectual.

Outro dia um amigo vindo de São Paulo me contou o seguinte episódio: “Paguei uma diária numa academia aqui no Rio e me chamou à atenção uma garota que usava meias brancas de cano longo, dessas até o joelho, tipo aquelas que os jogadores de futebol usam. Pareceu-me de um mau gosto, o dia estava extremamente quente, e o visual era estranho. Ok. Ela, até então, era apenas um garota de mau gosto. Mas, quando entrei numa sala de ginástica vi que todas as garotas usavam a tal meia branca. Pode?”

Semana passada me surpreendeu o gesto de uma nova amiga, na academia. Diga-se, ela é professora, gatíssima, e super inteligente. Viramos parceiros de pedalada. Disse ela – já faz três dias que trago um texto meu para você ler e não te encontro aqui. Acho que está na minha bolsa, vou pega-lo para você ler -. O título: Começando a escrever. O texto era de agradável leitura, sensível, e de muito bom gosto.

Tô pensando em fazer um pacto com a garota. Ela me dá ânimo para pedalar e eu dou a ela ânimo para escrever. Adoramos pedalar e falar da vida. Ela é leitora dos meus textos e a mais nova candidata para escrever os seus. Detalhe, nunca a vi com as tais meias brancas, mas também se usasse já teria me convencido de que ela também treina o intelecto.

Esse texto eu dedico a Lis. Valeu pelas palavras carinhosas que você me fala. Valeu pelas pedaladas e pelo incentivo ao treino e ao texto. Seja bem-vinda à minha vida. Tô indo ao teu encontro pra gente pedalar.

Zé.

That’s all Folk’s!

Imagem: do Blog da Lis.

3 Comments

  • Ellis wrote:

    Muito obrigada, por ter me citado… quer dizer, por ter me dedicado este texto, por ter se tornado este amigo especial demais em tão pouco tempo, por ter paciência e sensibilidade ao ler os meus “principiantes” textos, ao ter me incentivado neste movimento de escrever, por rir comigo e falar besteiras. E definitivamente por ter percebido que eu treino além dos músculos, a minha psiquê!!! Beijos.

  • Dely Rodrigues wrote:

    Então, não tenho nenhum tipo de preconceito, nenhum mesmo! Mas, meias brancas até o joelho… prefiro nos jogadores de futebol.Beeeeijo!

  • Thiago Fonseca wrote:

    Histórias de academia… nossa são tantas. Tou prometendo um post no meu blog já há séculos, acho que agora que li o seu vou ver se me animo. By the way, a meia até o joelho é o último grito da moda nas academias. Quem inventou, não sei, mas quem faz isso agora é “cool”. Para mim vai ser sempre ser brega. Enfim. Beijos!