Você já ouviu falar no Efeito Borboleta do matemático norte-americano Edward Lorenz? Ele consiste na representação gráfica do bater das asas de uma borboleta. Este termo refere-se às condições iniciais, de qualquer movimento dentro de um sistema, da Teoria do Caos. É como se uma simples borboleta batesse suas asas numa ilha distante e, do outro lado do mundo, dentro de algumas semanas, sentiríamos o seu efeito – como um tufão, por exemplo. A relação proposta é de causa e efeito. Lorenz mostrou, através de um cálculo, que é possível prever os resultados dos sistemas lineares, mas os resultados são sempre imprecisos nos sistemas não-lineares.
A equação de Edward pode ser aplicada em qualquer área da ciência, seja ela exata, médica, biológica ou humana. Inclui-se aí a psicologia e o pensamento. Ou seja, para a teoria, tudo o que fizermos hoje, dentro de um determinado período de tempo, considerando as variáveis, sentiremos os efeitos e resultados no futuro. Se toda a ação causa determinado movimento e obtém um determinado resultado, sua reação, que é imprevisível, pode modificá-lo instantaneamente. Então, quando tomamos uma decisão mínima, mas espontânea, podemos produzir resultados inesperados num futuro incerto.
Ontem, estava saindo atrasado para o encontro com uma amiga quando o telefone tocou. O problema é que eu estava do lado de fora do meu apartamento e tinha resolvido trancar a porta com a Dobermann, aquela chave com quatro dentes que impede que qualquer um adentre a intimidade da sua casa sem ter sido convidado. Que sensação de insegurança que sinto. Mas, precisava decidir se destravava tudo novamente, para atender ao telefone, ou se seguia meu destino sem atendê-lo.
Se tivesse decidido seguir, teria ficado a noite de sábado sem o esperado encontro. Claro, para isso inventaram o celular. Óbvio que tenho um, mas tô tentando exemplificar a Lei de Causa e Efeito sobre à minha escolha. Só eu sei o número de telefonemas que resolvi não atender. Só Deus sabe o que realmente perdi. Mas, eu atendi e, fui surpreendido com o cancelamento do encontro. Também é obvio que eu não perderia uma noite de sábado, em função de uma simples negativa. Encontrei um desses bares super bacanas onde você vê gente interessante, ouve-se a boa música do DJ renomado, bebe-se um drinque e de quebra dá para dançar um pouco.
Você observou a foto? Viu o número de controles remotos que tenho sobre a mesinha de centro? Acho que esse tipo de controle é uma das melhores invenções do homem. Parece que o primeiro surgiu nos anos 50, para controlar uma televisão. Uma das teclas de acesso chama REW – rewind, que deu origem ao título do meu texto. O botão tem como função retroceder, fazer o filme voltar. O pequeno aparelho, que geralmente opera por infravermelho, mas também por sinais de rádio, é capaz de me deixar sentado no sofá controlando quase todos os eletrodomésticos da casa. Dá pra controlar da temperatura do ar-condicionado, até a próxima faixa do meu play list no media player. Com ele posso pausar, avançar ou retroceder uma imagem, um som. É impensável viver sem ele.
De fato consigo controlar quase todos os sistemas lineares do meu confortável lar doce lar, meu cantinho, meu cafofo. Até aqui tudo bem. Esses sistemas, de tão modernos, raramente produzem “ruídos”; seus resultados são bastante precisos e o meio leva ao fim desejado. Mas, e aquilo que não conseguimos controlar? Quem sabe um dia alguém sofistique o controle remoto para que possamos controlar mais, com o menor esforço, e ainda mais distantes.
Você deve ter assistido ao filme de Eric Bress e J. Mackye Gruber, chamado de The Butterfly Effect. O personagem de Ashton Kutcher, Evan Treborn, tem o poder de voltar ao passado. Sempre que modifica uma ação todo o futuro das pessoas envolvidas é alterado, incluindo o dele. É claro que o mocinho volta várias vezes no tempo, a fim de escolher o final mais feliz para si e para a mocinha que ele tanto ama. O filme é genial.
Eu, se na noite de ontem tivesse escolhido não atender ao telefone, agora estaria morrendo de dor de cotovelo por ter sido abandonado em plena noite de sábado.
Se eu pudesse me materializar no passado, quanta coisa modificaria. Faria tudo diferente e com certeza acertaria mais. No entanto, como é difícil se projetar no futuro. O que complica é que ele é apenas uma projeção dos seus pensamentos. Tem teorias que afirmam que o futuro é agora. Que o futuro é completamente equalizável e que está acontecendo nesse instante em outro espaço de tempo. Temos o poder da escolha, ficando tão somente ao acaso da reação do outro, e suas consequências.
Bem… se podemos escolher melhorar o nosso futuro e o futuro do outro, sem causar danos ao Universo, porque insistimos em nossos erros? Por que repetimos fórmulas tão bem calculadas que deixam prejuízos para si e para o outro?
Para constar, vou citar a fórmula matemática de Lorenz que diz:
Um sistema dinâmico evoluindo a partir de ft indica uma dependência estreita entre as condições finais em relação às iniciais. Se for arbitrariamente separado um ponto a partir do aumento de t, sendo um ponto qualquer M aquele que indica o estado de ft , este mostra uma sensível dependência das circunstâncias finais a partir das iniciais. Portanto, havendo assim no início d>0 para cada ponto x em M, onde na vizinhança de N que contém x exista um ponto y e um tempo τ temos:
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Você já se deu conta de que tem o poder de modificar o amanhã, em função das suas escolhas e suas ações? Imagine como seria se você inserisse na fórmula acima as pequenas decisões da suia vida? Para que lado as asinhas da sua borboleta bateriam hoje?
Zé.
That’s all Folk’s!
Imagem: arquivo pessoal

Acho muito interessante essa Teoria do Caos. O que não seria do nosso destino e dos destinos alheios se não existe a Lei da Causa e do Efeito? Essa é a verdadeira graça da vida! Eu tenho o filme Efeito Borboleta. É preciosidade da coleção!
Ah, Zé, para este, requer mais cuidado. Vou reler, mas, tenho uma boa, quase pronta, rs. Até mais!