Você se lembra da sala da Liga da Justiça e de seus membros? Bem… você precisa ter pelo menos uns 30 anos. Eram eles: Superman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Batman e Robin. Mais adiante, o quinteto ganha reforço com a chegada dos Super-Gêmeos, The Flash, Vulcão Negro, Homem Águia e Mulher Águia, Átomo e Arqueiro Verde. O propósito desses heróis era combater a injustiça. Para isso, eles dispunham de uma super sala onde se reuniam para montar estratégias de combate ao crime. A história em quadrinhos foi criada pela DC Comics. Mais tarde, a Warner Bros transforma o desenho em versão animada.
Todos usavam seus super poderes para servir à humanidade. O Homem de aço era veloz e tinha visão de raios-X. A Mulher-Maravilha usava braceletes que desviavam as balas o oponente e um laço que prendia o bandido, obrigando-o a dizer a verdade, além do avião invisível guiado por telepatia. O Aquaman respirava embaixo da água e se comunicava com os animais marinhos por telepatia. Já o Batman concentrava seus poderes no cinturão e Robin era seu fiel aprendiz.
Você já leu algo sobre O Mito do Super-Homem? Existe uma teoria interessantíssima a respeito. O teórico Umberto Eco faz uma crítica ao super-herói dizendo que ele é a personificação estereotipada do poderio americano. “Nosso herói salva velinhas de ladrões; impede assaltos a bancos milionários; desmonta quadrilhas, mas não ajuda os miseráveis que vivem na rua; não acaba com as guerras por petróleo; não elimina o trabalho escravo”.
Quem nunca desejou ser o pateta do Clark Kent que, além de virar um super-homem imbatível, pega a mocinha Louis e ainda voava? Qual garota daquela época não desejou os musculosos braços do nosso herói?
Podia citar aqui um pouco de linguística, de semiologia. Podia citar os símbolos que todos esses personagens representaram para o consciente coletivo. Mas, prefiro me deter no desenho animado e com o que de mais inocente ele despertou na criançada.
Fiquei pensando nos heróis da minha vida real. Alguns ganharam esse título por merecimento e outros por insistência. Meu pai, que é meu oposto, eu considero um herói. Salvou-me várias vezes dos monstros que surgiram na minha vida. Salvou-me de abelhas gigantes e ferozes; me ensinou a lutar, a me defender, e a fugir quando necessário. Minha mãe era tão heroína quanto a Mulher-Maravilha. Pilotava diariamente uma nave invisível chamada de lar. Todo o esforço feito para manter a aeronave planando, quase nunca era percebido. Eu via a louça lavada, a casa perfumada, e a comida na mesa. Meu irmão era meu Super-Gêmeo, passamos uma infância inteira tentando ativar uma motocicleta sem motor; acionando nossos anéis para que o nosso autorama nunca deixasse de funcionar, e vivíamos brigando.
Ainda tive e tenho, em tempo presente, outros heróis, os que insistem em me acompanhar, os que não desistem fácil. Estes são extremamente generosos e humanos e fazem de mim um super homem.
Você percebe que vivemos por muito tempo no mundo das nossas fantasias? Nem precisa ser criança para isso. O que acontece é que temos a capacidade de fantasiar os movimentos para que eles nos pareçam mais animados e leves, menos difíceis e dolorosos. Desenhamos os nossos desejos de uma forma que tudo seja mais facilmente aceito, ainda que eles não sejam legítimos.

Hoje, meu maior herói é esse que vos escreve. Mas, não cheguei até aqui sozinho. Vários outros personagens se inseriram na minha história. Alguns foram convidados e outros a invadiram. Meus heróis são diferentes. Para eles, sou eu quem determina a quantidade de poderes e como esse poder será usado sobre mim. Dou todas as armas solicitadas: capas, braceletes, naves invisíveis, mas limito seus poderes conforme me convém e os tiro sempre que necessário. E diga-se, preciso muito de cada um desses heróis, reais ou imaginários.
Acho que a paixão é o sentimento campeão do mundo do que não é real. É raro dois seres apaixonados emitirem exatamente a mesma frequência. Geralmente, um deles está apenas imaginando, inventando, desejando, e insiste em permanecer na fantasia. Este pode ficar por muito tempo aprisionado na “sala da injustiça”, montando as mais complexas estratégias de sobrevivência e aprisionamento. Mas, no fundo, vai perceber que o esforço foi em vão e que o herói mais importante estava dentro de si mesmo.
Zé.
That’s all Folk’s!
Imagem: da rede.

Assisti poucos desenhos ao longo da minha vida, mas me lembro dos Super Amigos. A grande sacada é pensar que nossos heróis são muito mais imaginários do que reais. No entanto, quando admiramos alguém e esse alguém nos faz melhor não há problemas em tentarmos nos tornar iguais. Será que você já não foi o herói de várias pessoas ao longo do teu caminho? Teresa.
Estava viajando entre as estrelas , quando fui surpreendido pela fada Azul. Ela linda, com sorriso iluminado, com os olhos da verdades e o coração puro, me concedeu um desejo… e eu pedi: pedi simplesmente que sejamos os nossos próprios heróis, e felizes!