Outro dia alguém me falou que estava feliz e que a vida seguia seu curso com tranquilidade. Disse também que naquela manhã o sol que fazia era de um brilho intenso, e que apesar do frio dava vontade de correr. Fiquei pensando em qual seriam as coisas necessárias para que o homem se sentisse feliz. Pensei também no tipo de resposta que cada um dá quando o seu espírito experimenta a paz. Para alguns, entretanto, o estado de paz pode ser o inferno astral da própria inquietude humana.
Era uma fila imensa à minha frente, para ser atendida. Acho que fiquei ali esperando por quase uma hora. A senhora que chegou um pouco antes de mim, acompanhada do seu marido − suponho −, rezingava em voz alta as mazelas da vida. Eu não tenho coragem de atender um telefonema em público, o que dirá contar as minhas particularidades. E minhas costas começaram a doer, coitada da minha coluna que já estava toda comprimida, e reclamava.
A chuva gelada que cai no telhado de barro produz um som constante que embala o sono de toda a gente. Na grama o sapo coaxa e as cigarras que inundavam o verão já se foram. Cada qual, debaixo de dois ou três cobertores enrosca um pé no outro ou no pé do outro, para se esquentar e dormir. É tarde, e hora que outra se ouve os passos dos sujeitos de guarda-chuvas. Eles passam bem próximos à janela que dá para a calçada da casa.
Era uma vez um mundo de sonhos num lugar distante. Ele ficava um pouco longe da Terra e muito mais próximo das nuvens. Para se chegar lá a tarefa não era fácil, mas também nada impossível. Apenas seria necessário subir os degraus que separavam o mundo daqui do mundo de lá. Conheci um senhor aparentando certa idade e uma sabedoria que me deixou desajeitado.