Outro dia alguém me falou que estava feliz e que a vida seguia seu curso com tranquilidade. Disse também que naquela manhã o sol que fazia era de um brilho intenso, e que apesar do frio dava vontade de correr. Fiquei pensando em qual seriam as coisas necessárias para que o homem se sentisse feliz. Pensei também no tipo de resposta que cada um dá quando o seu espírito experimenta a paz. Para alguns, entretanto, o estado de paz pode ser o inferno astral da própria inquietude humana.
Ela abriu de mansinho a porta do quarto e olhou pela última vez para o rapaz deitado na cama. Era cedo demais para acordá-lo, para dizer que estava indo embora. Como de costume, por levantar várias vezes na madrugada, andava em silêncio pela casa para não despertá-lo com algum barulho. Antes de sair deixava apenas um bilhete desejando um bom dia. Mas, naquele dia ela estava decidida a partir para sempre.
Acho que um dos pensamentos mais perturbadores do ser humano ocorre quando ele precisa fazer uma escolha. Admito que algumas são fáceis e outras inimagináveis. Muitas vezes somos assaltados por necessidades de escolhas antes não pensadas. Para toda opção haverá uma exclusão. Você escolhe isso ou aquilo em detrimento do outro. Melhor é quando podemos ficar com duas ou mais alternativas, mas nem sempre é assim. Escolhas precisam ser bem feitas. Más escolhas podem causar prejuízos. Se escolhermos por exclusão algo terá tido o seu fim para a gente, mas pode ser útil para outra pessoa. Nada na vida se perde. Para tudo haverá algum destino e o que não é bom para você pode ocupar um lugar perfeito em outra pessoa.
Como é difícil escrever sobre aquilo que não dominamos. Acho que é por isso que tanto se debateu sobre a possibilidade dos jornalistas serem mais especialistas, em algumas áreas, do que generalistas na profissão. De qualquer forma vou arriscar, na minha sábia ignorância e pretensão, um breve ensaio sobre ‘alter ego’. A meu ver cabe tão bem nesse espaço e, muito mais, em mim.