Já é março e as águas desse mês estão fechando o verão. Assim cantava Elis, que também dizia que havia promessa de vida no seu coração. Realmente lá fora a chuva refresca as últimas noites quentes do período, e muita coisa se fecha. Fecha-se o ciclo da estação. É o fim de um caminho. É o resto de tudo e de tudo o que ficará sozinho.
Tá rindo, é? O Carnaval já acabou e é hora de arregaçar as mangas. Não queria dizer isso, mas seja bem-vindo ao Ano Novo. Seja lá onde tiver o seu coração é hora de botar ordem na casa, varrer a calçada, espanar o pó do armário e guardar muito bem a fantasia para usá-la no ano que vem. Mas, quem já começou o ano pode pular para o parágrafo 4º, sempre existem adiantados e sobram retardatários.
É Carnaval no Rio e em várias outras cidades desse país. Aliás o Carnaval é comemorado mundo afora e a festa teve a sua origem há quinquilhões de anos, lá na idade média. Nós, muito criativos e influenciáveis que somos, apenas adaptamos os festejos e damos o nosso toque particular à brincadeira. Cada povo tratou de se representar conforme a sua cultura, os seus valores e os seus costumes.
Fazia tempo que eu não andava de pés descalços pela casa. O piso daqui é uma cerâmica na cor gelo, atualmente encardida, que quando o pé toca dá para sentir a temperatura mais baixa retida na pedra. A minha ex-mulher sempre implicava com a pele fina do meu pé. Uma vez por semana eu a ouvia reclamando da casca grossa do seu pé, formada pelo uso contínuo do salto alto. Mulher perde horas fazendo unhas, lixando os pés, pinçando pêlos, ajeitando os cabelos. Nessa hora é ótimo ser homem e ter pés de homem de pele macia. Acho que era isso que a incomodava.